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terça-feira, outubro 20, 2015

quinta-feira, janeiro 15, 2015

O Portugal, Caramba! gosta do CHARLIE HEBDO


E detesta fanatismos!

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Ando há muitos dias com este post atravessado. Desde o dia 7, mais exactamente, dia em que um par de energúmenos entrou a matar pela redação do Charlie Hebdo e deu cabo de doze pessoas que estavam a fazer o seu trabalho e não tinham elas-próprias morto ninguém. Não é, dir-se-ia, bonito chamar energúmenos a dois indivíduos que se julgavam mandatados por Deus para fazer o que fizeram, mas para mim é o mesmo: mataram. Não tentaram redimir. Não tentaram convencer os jornalistas das razões que ali os traziam, não lhes mostraram o mal que estava a ser feito nem lhes apontaram um caminho mais justo. 
Vejamos!
Eu sei que o Portugal, caramba! não é o blog mais lido no mundo inteiro, nem sequer aqui da freguesia. Para quê, então perder tempo com platónicas declarações disto ou daquilo, se ninguém aqui vier?
Mas não é isso que me importa. O que me importa é que eu próprio o diga o que acho que tenho a dizer. Pode não vir cá mais ninguém, mas venho eu, não já com o entusiasmo com que dantes soía porque muita coisa de fazer perder a paciência a um Santo aconteceu nos oito anos que o Portugal, caramba! já leva.
Por exemplo, apareceu com um impúdico estrondo o facebook.
Não se limitou a impor um novo conceito de amizade que nos vai obrigar, um dia destes, a inventar uma palavra nova para os amigos mesmo, aqueles cuja falta sentimos quando se vão embora e que nos alegram mesmo quando voltam. E não foi só isso: o facebook também se tem vindo a apropriar dos nossos minutos livres, e, pior, do direito de criar banalidades, às vezes a partir de coisas que mereciam o nosso real empenhamento.
Mas mais! O próprio mundo tem vindo a mudar.
Nestes poucos anos, o 43º presidente dos Estados Unidos, um tal George W. Bush, foi-se embora, depois de ter inventado um Eixo do Mal lá onde lhe convinha e cortado nos impostos dos ricos.
A seguir veio o Obama, o primeiro presidente norte-americano com uma costela africana (deve ter trazido com ele das Áfricas um tal Passos Coelho - não há outra explicação - e mandou-o para cá, não sei se por causa da base das Lages ou por outra vingança qualquer).
Os States, com a sua habitual teimosia e a mania de fazer tudo à bruta, perderam mais uma guerra, que o proficiente Bush tinha arranjado no Afeganistão e a seguir, depois de enforcarem o Saddam, perderam também a do Iraque.
Vieram-se embora, por causa da «crise do subprime» e porque uma data de bancos se tinha afundado. Como não se pode cavar na vinha e no bacelo e a economia americana não dava para resgatar a banca e, ao mesmo tempo, compor a trapalhada que se tinha arranjado lá pelo Médio Oriente, os marines foram sendo substituídos pelos drones e o combate ao Eixo do Mal teve de continuar com assassínios selectivos.
Para espanto, pelo menos dos que ainda se lembram de que o responsável pelos campos de extermínio nazis, o Obergruppenfurer Eichmann, teve direito a um julgamento com advogado de defesa e foi condenado por um verdadeiro tribunal, Osama Bin Laden nem sequer foi trazido para uma prisão e julgado, mesmo se sumariamente. Bin Laden, foi simplesmente abatido. E percebemos que era o que se fazia quando era demasiado incómodo trazer um suposto terrorista assim para uma qualquer Guantánamo, ao menos para se averiguar se era ele mesmo quem se julgava que era. E que, se fosse preciso torturar um preso havia mais de mil recursos que a carta das Nações Unidas se tinha esquecido de discriminar: afogá-lo repetidamente, por exemplo, como no antigo suplício da «estrapada». Ou então abandoná-lo à polícia secreta de algum país amigo que não se submeta a escrutínios democráticos...
E os meninos que estavam refugiados numa escola das Nações Unidas com os seus pais e avós e foram atingidos por um míssil que visava um suposto dirigente do Hamas, também não foram acusados de nada, nem foram presos, nem lhes leram os direitos porque decerto não os tinham: foram feitos logo em estilhas, não passaram de casualities, que é como quem diz, com um encolher de ombros, que foram danos colaterais.
Obama tinha prometido fechar a prisão de Guantánamo. Não fechou, como não fecharam as off-shores onde os traficantes de armas ou de cocaína guardam os seus fundos de maneio e de onde enviam as massas com que se compram vistos gold e mansões em Vila Moura... ah, e onde os gestores que afundaram as Exon e as Lehman  Brothers, para não falar de exemplos aqui mais à mão, guardam umas pequenas poupanças por outras...
Mas adiante.
Além de falar demais, tenho outro defeito. Julgo que se chama irreverência.
Não atribuo muita importância aos grande nomes, aqueles que se tem de escrever com letra maiúscula: Pátria, por exemplo. Presidente da República! A Igreja Católica, a Anglicana, o Islão, etc. Eu só respeito gente. Ao meu vizinho, nascido aqui na terra e, portanto, meu compatriota, a esse sim, eu respeito-o.
Ao Dr. Jorge Sampaio também e às gentes, certamente católicas, que vão ali à festa da Capelinha para angariarmos uns euros para umas obras mais urgentes. Há também um casal, Testemunhas de Jeová, julgo eu, que me vêm bater ali ao portão de vez em quando e com quem converso sempre um bocadinho sobre coisas várias, o saber e a fé, um pouco de Santo Agostinho, o que vier à baila. São pessoas cordiais, mostraram sempre respeito por mim, pelos meus cães, pelas árvores, em suma, pela Criação. E eu, que posso fazer senão trata-los com igual respeito?
Se fossem budistas, islamitas ou judeus, o critério seria sempre o mesmo.
Não, não é de borla o meu respeito: paga-se com respeito. Não foi uma aprendizagem fácil, tem-me demorado a vida toda, mas sei exactamente como começou.
Não sei se alguma vez conheceram um bombista, mas um bombista a sério, daqueles que levavam uma bomba debaixo do surrão, lhe acendiam a mecha e a atiravam para o meio da multidão. Eu conheci um.
Como normalmente era feita de pólvora própria para fazer fogo de artifício, ou da que se vendia para carregar os cartuchos de caça, a bomba ardia mais do que rebentava, estragava umas saias às senhoras e assustava os cavalos. O odiado bombista era preso, ia dar com os ossos no Aljube até ser deportado para Timor. Quando se acabaram os bombistas, uns deportados para aqui outros para ali, o Estado Novo pôde continuar na santa paz do Senhor.  
O meu bombista era desses.
Quando voltou do exílio, anos depois, o país estava dominado pela Legião e pela Pide, com o apoio firme de uns quantos generais e da enorme maioria de sargentos que lutavam por conseguir uma casita no Bairro Social da Ajuda.
Sem direito a voto, já sem correligionários, o meu bombista voltou para a terra, casou-se, criou os filhos e os netos, mas nunca se resignou.
Era carpinteiro, passámos muitas tardes, o meu irmão e eu, a vê-lo trabalhar na oficina e ouvir histórias antigas.
Um dia, não sei já como começou a conversa, mas também pouco importa, com ele todas as conversas iam parar à política que ele nos explicava com abundantes metáforas, poemas inteiros do Antero de Quental, ditos populares de pouco rigor, disse-nos que tinha sido anarquista.
E falou nos primeiros tempos da República, no Buíça e no Costa,  no Carlos, no Luís Filipe (ele nunca usava o honorífico «Dom») nos atentados e nas bombas: era essa a sua grande mágoa, o seu grande arrependimento a conclusão a que chegara:
«Porque isso, não há direito! Não eram bichos ruins, tinha era que se dizer que estavam a fazer mal, não era matar ninguém, nem a Maria Antonieta que era uma cabra!»
E é isso o que, passados estes anos todos de «aprende-desaprende» e «volta a aprender», acho que deve ser dito:
O Cabu, o Charb, o Wolinski, o Tignous e as outras vítimas do massacre na sede do Charlie Hebdo, como de todos os outros massacres, não eram bichos ruins. Eram gente, como eram gente os meninos na escola da ONU na faixa de Gaza, como eram os judeus exterminados em Trblinka, como sou eu e como somos todos, míseras criaturinhas de Deus.
Ponto final.
 

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Obediênciazinha, pois então! (II)






Todos os dias, logo pela manhã ou já a dobrar para a tarde, ou às horas que forem, repetimos os mesmos gestos, já viram?

Calçamos uma meia em cada pé, admitindo que ainda temos os dois da praxe; comemos umas tantas refeições, ouvimos as mensagens no telemóvel; compramos o jornal; ligamos a televisão, vemos os prós e os contras; amamos os prós quando são nossos, odiamos os contras quando são os outros. À socapa, fazemos zap e espreitamos um ou outro dos canais porno com que, gentilmente, a meo ou a zon mais próxima nos quiseram perverter.
Se nos perguntarmos, dizemos que é assim mesmo. Mas já fizemos as perguntas todas há tanto tempo e as respostas sempre imitaram as respostas, de que vale estar sempre a perguntar?
Lemos os mails, alguém nos mandou uma anedota sobre a ministra da educação; navegamos na net ao acaso.
Dormimos. Ao lado da esposa que já foi exaltante.
Sonhamos, mas não nos lembramos com quê.
Acordamos.
Repetimos.
Tomamos o café, tomamos o duche.
Calçamos meias lavadas. Convém.
Talvez outros sapatos.
Guiamos o carro. Não estamos sós, toda a gente vem connosco pela mesma estrada.
Trabalhamos.
Vamos beber um copo com o que chamarmos amigos. Falamos do mesmo que eles.
Esquecemo-nos de ler o jornal que trazia notícias do Haiti. Espreitamos outra vez o canal porno.
A boa esposa já dorme.
Se lermos umas páginas para adormecer também, há quem tenha hábitos desses, e se o livro que nos veio à mão tiver sido um qualquer Deleuse, poderemos tropeçar em conceitos como modulação, ou como ritornelo. E podemos começar a compreender que chegámos enfim, à sociedade de controlo. Os numerosos microchips dizem por que portagens passámos, que contas pagámos, a ADSE ou a Medis sabem que remédios tomamos os bancos sabem o que querem saber.
Mas depressa largamos esse livro: não haverá por aí algum Dan Brown, alguma Margarida Rebelo Pinto, algum imitador da receita de Flemming e do seu 007?
Sim, porque ai de nós se não formos bons imitadores: a receita para fazer um herói ou um bom cidadão existe, está sempre em actualização.
Lembram-se do Reinaldo Ferreira?
Agite-se um pendão.
Segue o teu chefe. O secretário-geral do teu partido. O teu colega com mais sucesso. Aqueles para quem as meninas mais bonitas sorriem.
Já nem são precisas as certezas irracionais. O senso comum basta.
Servem-nos mortos, claro.

quinta-feira, dezembro 31, 2009

Obediênciazinha, pois então! (I)


Do que vos quero falar, ou, dado que o Portugal, caramba! se tem vindo a transformar em mais um blogue do eu, o que eu quereria perceber, é:

Porque havemos de obedecer a uma ordem?

Mas, claro, tenho de começar por algum sítio e, portanto, aquele estranho acontecimento passado lá para os lados de St. Margarida, ou de Tancos, serve perfeitamente.
Lembram-se?
Eram umas sete da manhã, vem um condutor na sua carrinha, tinha andado a distribuir jornais e, a meio da estrada, a ocupar-lhe a faixa, ia um pelotão de futuros paraquedistas vestidos daquela cor chamada verde-tropa, escolhida justamente para não dar nas vistas. Cumpriu a sua função. O condutor não os viu realmente - ou só demasiado tarde.
Acidente, dezasseis atropelados, três muito graves.
Não interessa se houve ou não culpados, se foram castigados, se alguém indemnizou as vítimas ou se está tudo perdido na burocracia de um ex-tribunal militar.
Claro, as notícias falaram de um carro desgovernado, um motorista adormecido ao volante ou cansado ou qualquer outra coisa que justificasse o desastre. Tudo menos o óbvio: a tropa está-se nas tintas para as leis quando não lhe apetece cumpri-las. No caso eram as do trânsito, poderiam ser outras.
Não que a tropa não cultive a obediência.
Tem Nepes, tem Erredêémes, tem as suas bíblias e faz gala em que tudo seja by the book.
Excepto se aos sargentos e oficiais outra coisa não ocorrer, mas isso é outra conversa. Relevante é que não tenha havido muito mais informações sobre as necessárias sequelas do acidente. A obediência e o silêncio andam frequentemente juntos. A cegueira segue-as de muito perto.

2.

A obediência na tropa é engraçada: parece ter sido feita de propósito para nos mostrar a que ponto pode chegar a alienação ou, para ser claro, até que ponto alguém pode prescindir da sua própria vontade, dos seus instintos até, se a palavra tiver algum conteúdo.
A que outro conceito poderíamos recorrer para explicar, por exemplo, as cargas de baioneta nos assaltos às trincheiras inimigas, quando um general francês ou alemão, que importa, sacrificava três mil homens para recuperar cem ou duzentos metros da terra de ninguém, uma aldeia arrasada e deserta, um pedaço de bosque onde, de novo seria preciso cavar trincheiras, instalar metralhadoras?
Lembram-se do Hans Castorp, o jovem doente (mas de quê?) que desceu do sanatório, na encosta da Montanha Mágica, a cinco mil pés de altitude? Vista de lá de cima, a pátria «assemelhava-se a um formigueiro em pânico». E o Hans mergulhou no vale e depois num batalhão académico:
"Eis o nosso amigo, eis Hans Castrop! Já de longe o reconhecemos (...) Arde, ensopado pela chuva como os outros. Corre, os pés trôpegos, agarrando a espingarda. Vejam, pisou a mão de um camarada caído, a sua bota ferrada afundou essa mão no solo lamacento, crivado de estilhaços. E todavia é ele!"
(Thomas Mann, A montanha mágica)

O que levará alguém a seguir o seu oficial, o seu pendão, o seu clarim até à morte? Ou, se preferirmos, o que terá levado os carcereiros de Auschwitz, os Eichmann deste mundo a obedecer às ordens que alegam terem-lhes sido dadas?

segunda-feira, março 30, 2009

E que temos nós com isso?

O facto em si, tal como o relatava o El País de ontem, não tem grande interesse: Estefania, que nasceu rapariga, transformou o seu corpo de acordo com o género a que desejava pertencer e tornou-se no Rubén.
Até aqui, nada de novo.
Como é próprio dos jovens, o Rubén, apaixonou-se por Esperanza, uma senhora um pouco mais velha e, de casa e pucarinho, decidiram ter um filho, tal e qual como qualquer outro casal que por aí ande.
O invulgar da história é que Esperanza, que é já mãe de dois filhos, não pode ter mais. E bom, como em qualquer casal, quem engravida, é aquele cujos órgãos femininos se encontram funcionais - num casal tradicional é a mulher e pronto, não se fala mais nisso.
No caso vertente, porém, quem tem um útero funcional é o Rubén que, por via da mudança de género, desempenha um papel masculino, ou seja, é um homem.
Não sendo muito usual, no fundo, se pensarmos bem, é lógico.
O que levanta algum problema, são as declarações de um tal Dr. Ballescà, ginecologista e responsável, diz-se, por uma unidade de Andrologia reprodutiva em Barcelona.
"Pelo facto de que esta gravidez seja tecnicamente realizável" diz o médico, "não se segue que seja eticamente aceitável."
E nós concordamos. De "A" ser possível, não se pode concluir o seu valor ético. A bomba atómica é um bom exemplo. E uma menina de doze anos ou mesmo de onze pode «tecnicamente», se a palavra aqui tiver cabimento, engravidar. O que segue é que essa gravidez possível é altamente indesejável e eticamente inaceitável.
Porém, continua o ginecologista: "A intervenção de mudança de sexo deve ser total, o que acarreta a extirpação dos ovários!" E acrescenta: "És una contradiction".
De facto: um homem é um homem e um gato é um bicho. Mãe há só uma e, por definição, um pai não tem ovários.
Ora, neste caso insólito, a figura paternal vai ser a mãe. E o cônjuge da mãe (que costuma ser o pai, mas não sempre) vai ser a figura maternal. É confuso, não é?
Imaginem o pobre conservador do registo civil lá do sítio:
- Mas, então...? E eu escrevo o quê? ... E escrevo aonde?
Se for um daqueles que também por aí andam, há-de deitar as mãos à cabeça e sair pela porta fora aos gritos:
- Contradição! Contradição!
Já não havia estações, chove e faz frio em Agosto; nas estâncias de Inverno, em vez de esqui, tomam-se banhos de sol. Os bancos que costumavam emprestar dinheiro às pessoas e viviam disso, agora pedem dinheiro ao Estado e não se percebe de que é que tencionam viver quando a economia for para as urtigas.
E, para cúmulo, os pais armam-se em mães e decidem ser eles a ter os filhos.
Eu, por mim acho que é um escândalo! O Dr. Ballescà, se calhar também. E o Sr. Papa, mesmo se ainda não se pronunciou, vai uma apostinha em como também vai gritar «contradição, contradição?»
E porquê? Alguém nos deu o direito de nos metermos onde não somos chamados?

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Mal amar


60º. aniversário da
Declaração universal dos direitos do Homem



Por iniciativa do Fenix ad eternum, neste dia em que se comemora a declaração pela ONU dos direitos do Homem, formou-se uma cadeia de solidariedade entre blogues de todo o mundo. Esta é a nossa minúscula contribuição; mas, como disse o ratinho, qualquer pequena gota conta... O nosso obrigado também ao Arroios pela dica.


...


O Homem é um animal estranho.
Soube dizer que Direitos tem e proclamou-os há já sessenta anos numa Declaração Universal. Soube, desde os seus primeiros filósofos, desde os primeiros guias espirituais, que deve amar o seu próximo como a si mesmo. Ou, na formulação de Kant, que deve agir de tal modo que a máxima da sua acção possa ser erigida em lei universal.

Sabe-o.

Mas não sabe quem é o seu próximo, não sabe que vai desde a formiga e o pardal até ao rio de terras distantes e à floresta tropical onde habitam gorilas.

Não sabe que o seu próximo é a Terra, com tudo e todos os que podem, mas não devem sofrer.

Nem sabe como amar esse próximo, mesmo que soubesse quem é, onde encontrá-lo.

Não sabe e tem medo de ter de saber: receia o dia em que já não lhe seja possível esconder-se atrás da retórica, que as palavras já não sirvam de balas, os microfones de cassetêtes. a surdez de escudo. Tem medo do dia em que alguém lhe peça contas dos bebés-foca assassinados à paulada, das raposas esfoladas vivas para fazer casacos de peles, das populações vítimas de danos colaterais em guerras absurdas.

Que fazer, hélas, quando o homem não quer a si mesmo, quando secretamente se odeia? Declarar o que queremos que venha a ser pode não passar de um começo. Mas então, comecemos, caramba!