quarta-feira, abril 11, 2012
terça-feira, março 13, 2012
Tiro ao Cavaco!
sexta-feira, setembro 16, 2011
Não gosto
Não gosto. E não gosto mesmo.
Também não gosto e tenho raiva a quem gosta.
Disse.
quinta-feira, julho 28, 2011
Medidas de austeridade
sábado, julho 16, 2011
Rui Tavares
quinta-feira, abril 21, 2011
Galinhas gordas
Chamavam-lhe, se a memória me não falha, a rotação dos cheques.
A ideia era a de que um fabiano na vila A podia efectuar pagamentos com um cheque dos balcões da vila B. Dado que tudo isto levava algum tempo, o cheque que aguardava boa cobrança era coberto por um terceiro, este por um quarto e quinto e por aí fora. As dívidas e os desfalques iam sendo escondidos desta hábil maneira.
Toda a gente lucrava.
Mas grosseiro pareceu também o caso da Dona Branca, lembram-se, depois do escândalo já rebentado. E, mais ao alcance da memória dos distraídos, quer pela dimensão, quer por ter vindo da mítica Wall Street, as do espantoso Bernie Madoff.
- Não, garantem eles, até no tribunal se preciso fôr. - O investimento era bom. Correu mal, foi o que foi.
- Vendo bem, acrescentava, descontando o dinheiro que lá ficou, ganhei mais de cinquenta por cento ao ano.
- E sabias que a Dona Branca tinha de ser aldrabice, pá? - perguntámos nós.
Ele hesitou.
- O meu Tio - acabou por dizer - trabalhou toda a vida, comprou, vendeu, ganhou bastante dinheiro. Mas uma das coisas que ele dizia é que não há galinhas gordas por pouco dinheiro. Se ta quiserem vender, é roubada. Lembrei-me dele montes de vezes, pá. Dez por cento ao mês, que era o que a velhota pagava, nem que ela tivesse uma máquina a imprimir notas de mil toda a noite.
terça-feira, abril 05, 2011
terça-feira, março 22, 2011
O Burro de Buridan ou Os preços dos combustíveis!

sexta-feira, março 11, 2011
Pois, tem razão...
O Portugal, caramba! compreende que nem toda a gente tem vontade de ir amanhã à manif, mas que não deixa de sentir um certo peso na consciência por causa disso. terça-feira, junho 08, 2010
sábado, maio 29, 2010
Mentiram-nos este tempo todo?

Devíamos à Providência a Graça de sermos pobres, lembram-se? Morávamos ainda em casas de telha vã, chão de terra batida, andávamos quilómetros a pé, no Inverno, com as solas rotas, para chegar à escola: fazíamos a terceira classe e íamos trabalhar.
Desde tempos remotos, os ratinhos e os malteses tinham vindo em ranchos fazer as colheitas e as vindimas, varejar a azeitona ou pescar noutras águas muito para longe das suas terras. Não ganhavam muito, o que amealhavam mal dava para um vestido para a cachopa, um lenço para a velhota, para a onça do tabaco, para o copo de três a festejar o regresso. Outros conseguiam vender uma fazenda ou tinham um parente que os chamava, iam para o Brasil, para a Venezuela.
Tínhamos escapado da II Guerra Mundial, não escapámos aos movimentos de libertação das colónias. Vimos partir o simbólico forte de São João Baptista, depois o Estado da Índia.
A guerra rebentou em três frentes.
Lisboa já o era.
Bairros inteiros viram demolidas as suas moradias, os prédios mais baixinhos. Em seu lugar surgiam caixotes de linhas mais ou menos direitas, grandes varandas que logo eram fechadas em marquises. As aldeias periféricas, a Amadora, Queluz, o Cacém, Loures, Sacavém e por aí fora, sucumbiram ao cimento armado, ao betão.
A 25 de Novembro de 1967 abateu-se sobre Lisboa uma tempestade. Choveu nessas obras recentes e umas quinhentas pessoas - estimativas oficiais - morreram afogadas, desmoronadas, soterradas.
A polícia modernizou-se para conter as manifestações dos estudantes, dos operários.
-
A 25 de Abril, na sequência de um pronunciamento militar, a população de Lisboa insurgiu-se e, de todos os lados, surgiram as adesões.
Julgava-se, talvez com razão, que a propriedade estava mal distribuída, mal utilizada. Que os monopólios concedidos pelo Estado Novo entravavam o desenvolvimento. Que a especulação imobiliária privava de casa milhares de jovens casais.
Em suma, acreditámos que "o pão que sobrava à riqueza, distribuído pela razão, mataria a fome à pobreza e ainda havia de sobrar pão". Era simples, o programa que quisemos ver realizado e era fácil de o gritar em coro: "a paz, o pão, saúde, educação."
Não éramos jeepes?
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
sexta-feira, julho 03, 2009
terça-feira, maio 26, 2009
Vêm em bando com pés de veludo...
Sempre andaram por aí, desde o Senhor D. João III, creio, ou mesmo antes. Tiveram muitos nomes: sob o principado de El-Rei Junot, por exemplo, chamaram-se «moscas». Mas foram sempre iguais a si mesmos: invejosos, mesquinhos, de vistas curtas. quinta-feira, maio 21, 2009
Lusopitecus Quèobrensis Astutus
Com a devida vénia à Hainnish que colaborou activamente na descoberta destas e de muitas outras espécies de quèobrensis.domingo, abril 05, 2009
O Portugal, Caramba! também gostava de ter um emprego e de acumular umas reformazinhas...
segunda-feira, julho 14, 2008
... do que cabeça de Sardina pilchardus Clupeidae.
2. Já não há exploradores e explorados? sexta-feira, julho 11, 2008
Mais vale cauda de merluccius...
c) Do que queremos falar, verdadeiramente, é daquilo que muita gente se pergunta neste momento: dantes tínhamos um país reprimido, atrasado e em guerra. Agora somos, supostamente ao menos, uma democracia. E, olhando em redor, perguntamo-nos: como é que chegámos aqui?É claro que este "aqui", se desdobra: há um «aqui» mero estado de espírito, feito de descrença e desilusão. Acreditávamos, estávamos, como dizem os nossos irmãos, "muy ilusionados". Ou seja: tínhamos espectativas e julgávamos que eram realizáveis. Falamos por nós, e damos como testemunhas os programas dos partidos políticos de então, a constituição que deles resultou.
Queríamos superar o nosso analfabetismo, a nossa incultura. Queríamos acabar com a miséria. Queríamos que nenhum português mais se visse forçado a procurar "lá fora" as coisas que "cá dentro" não alcançava e a que queria ter direito. Coisas tão simples como uma casa que não fosse só um telheiro, de chão em terra batida; que tivesse tecto e uma casa de banho, electricidade, água canalizada, esgotos... Coisas tão simples como dinheiro para chamar o médico e aviar a receita na farmácia... Escolas para onde mandar os putos, a ver se tinham uma vida melhor do que a nossa.
Queríamos aquelas coisas que começávamos a ver na televisão: um carro e um fato, sofás para ver o futebol com os amigos enquanto bebíamos umas cervejas.











