Mostrar mensagens com a etiqueta Estou mal disposto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Estou mal disposto. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, novembro 21, 2018

Carta Aberta (talvez melhor: Desabrida) ao Manuel Alegre



Dâmaso
- Eu cá, é de atracão!
-
Grande Manuel:
Deixa-me dizer-te como aprecio a tua intervenção pública e ousada nesta questão do politicamente correcto. Também eu, frequentemente opto pela incorreção - não no caso do massacre dos toiros para gáudio sádico de uns quantos espectadores, não em andar aos tiros a coelhitos que só iam na vida deles sem incomodar ninguém, mas, para dar um pequeno exemplo - quando toda a gente incensava o tua «A Praça da Canção», eu, incorrecto como sou, achei-o superficial, mero aproveitamento do tempo que passa (como o vento?). 
Não penses que duvido da nobreza dos teus sentimentos de resistente anti.fascista. Mas sempre suspeitei de que, à mistura, vinha alguma dose de vontade de ser reconhecido, tipo ser «o maior da cantareira». Estarei em erro? Coisas da minha dose de incorrecção. Tu o dirás.
Adiante. Quero que compreendas que eu também compreendo os teus gostos aristocráticos, Manuel: Afinal, ir à caça com a espingarda debaixo do braço e uns grupo de amigos apreciadores do ar livre é elegante., Ir assistir a uma tenta de gado na herdade de um ganadeiro amigo, ser parte da Festa Brava, são coisas que afidalgam que se farta.
Só há uma coisa que eu não percebo: terás medo de que os aficionados deixem de ir às toiradas a 13% do IVA e passem a frequentar o Balet, só por causa dos 6%?

quarta-feira, janeiro 09, 2013

O Gato e o Rato (fábula encravada)

O Blogger, simpático como é, volta e meia, pimba! Prega-me uma partida. De repente, sem avisos nem água vai, muda as regras do jogo.
Deve achar que é pecado ser assim como eu sou, conservador, apegado a costumes antiquados, apreciador de velhas fábulas e põe-me de castigo.
Não que o Blogger não tenha alguma razão. Eu mereço!
Mesmo sem ser contrário às mudanças (tenho várias no meu carro e até as uso a todas), há coisas que me irritam: por exemplo, porque diabo achou alguém que as velhas e boas Finanças, uma praga a que já estávamos acostumados, haviam de mudar de nome?
Chega um cidadão ali à vila e pergunta, «o senhor, fachavor, dizia-me onde é que é as finanças?» e o prestável transeunte aponta, «é logo ali, vocemecê corta ali à direita e é a primeira porta...»
E o cidadão, com ar triste diz que «pois, também ele pensava, as Finanças sempre tinha sido ali, mas agora estava lá uma coisa, a Autoridade Fiscal e Aduaneira... E agora, onde é que ele ia pagar o imposto de não sei quê, aquela coisa que dantes era o selo do carro, mas agora é só um papel...»
E a conversa podia não ficar por aqui.
Se o cidadão tivesse tempo e paciência bem podia ouvir dizer que um tal Vítor Gaspar até já tinha dado fazer cartões de visita novos:
Vítor Gaspar
Ministro da Autoridade
(Fiscal, Aduaneira e Correlativos)
Mas, enfim, parece ser um arraigado costume indígena que muito estranharia a um ser civilizado por aqui de visita (felizmente não veio nenhum com a Engenheira Merkl e os que cá havia já emigraram); o Marcelo Caetano, que em tempos ocupou o lugar do Sr. Passos Coelho, para dar um primeiro exemplo, mudou o nome ao Partido Único, a União Nacional e já ninguem se lembra como lhe chamou. E à Pide de má memória, chamou Direção Geral de Segurança, como se rebaptizar as coisas lhes apagassem os curriculo. Não sei mesmo porque é que o Obama não aproveita o exemplo deste velho aliado da Nato e não chama Acapulco à famigerada prisão de Guantanamo: dava para propagandear que uns quantos prisioneiros afinal estavam era de férias.
E não ficamos por aqui. Não bastava que o Terreiro do Paço em Lisboa tivesse passado a ser a Praça do Comércio e o Rossio Praça de D. Pedro IV: foi preciso que o Largo do Caldas passasse também a chamar-se Largo Adelino Amaro da Costa.
Já viram?
Era um endereço pequenino, duas palavrinhas, treze letras contando com o «do»; agora é preciso escrever vinte e quatro. Deve ser uma simplificação, mesmo se eu não vejo como. 
E lembram-se? No tempo do tal Marcelo, e antes dele, do Salazar, os jovens podiam frequentar uma escola comercial, uma industrial ou então ir para o liceu. Quando ser quis uniformizar os cursos, o que, quanto a mim era uma necessidade premente, algum génio achou que a palavra liceu evocava não sei que elitismos e resolveu chamar a esse ensino unificado e aos estabelecimentos onde era ministrado «secundário». Podia ter-lhe chamado Liceu, que era bonito, tinha um sabor clássico e escrevia-se com cinco letrinhas. Agora «escola secundária» escreve-se com dezasseis, mais um espaço e um acento.
Simplicidade, a quanto obrigas!
E, já que o Obama não aprendeu nada connosco, o Blogger podia ter-lhe seguido o altivo exemplo.
Mas não: também o Blogger deve ter querido simplificar qualquer coisa e agora para aqui estou eu às aranhas: é que o Portugal, caramba! foi, desde o início, um blog ilustrado.
Bem sei que não era lá grande coisa, mas eu divertia-me a escrever umas coisinhas e depois pintava uns bonequinhos, e pumba! Clicava ali em cima onde diz «inserir imagem» e procurava num dos meus arquivos o boneco que queria inserir. Depois era só «publicar».
Agora, se lá for clicar, manda-me seleccionar um ficheiro e dá-me como opções coisas como a minha webcam, este próprio blog ou «a partir dos Albuns Web Picasa» que não sei o que seja, mas onde me aparecem três o quatro dos meus próprios desenhos já antigos e só esses.
Como faço agora?
Publico outra vez o que já está no blog? Não me apetecia muito. Queria fazer coisas novas, brincar com elas no photoshop e pô-las depois por aqui.
Porque diabo havia o Blogger de mudar as regras do jogo?
E agora? O que é que eu faço, não me dizem?
-
-
 E pronto: quando não os podes combater, junta-te a eles e escolhe uma coisa qualquer. Este desenhinho, por exemplo, chamava-se «Alice encontrou os ratos que roeram a rolha da garrafa do Rei da Rússia» e eu não desgosto dele. Sempre são uns ratitos. Os gatos que se lixem. 
-

quarta-feira, abril 11, 2012

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Melindres de Pedagogo e glórias de General

-
Sérgio de Sousa, que tem colaborado com este blog, bem mais esporadicamente do que nós gostaríamos, acabou de publicar o seu Diário Póstumo de um Paraescritor (Anáfora, 2011).
Como afirma no Prefácio, "além do incontornável autor, mais quatro pessoas, pela assiduidade com que intervêm ao longo do Diário, tornaram-se também personagens dele."
São essas quatro, em primeiro lugar o seu editor, logo o seu filho mais velho, o Eugénio e o seu amigo Raúl Hestnes Ferreira, conhecido arquitecto, autor entre outras obras, do edifício da Escola Secundária de Benfica ou a Casa da Cultura e da Juventude de Beja.
Dado que a quarta personagem a intervir nesta narrativa diarística é Rui Costa Lopes, que também, conforme calha melhor, se assina como Tacci ou João Bessa, ou Bento Sequeira, ou qualquer outra coisa que venha a jeito, e como se dá o caso de ser o principal redactor deste blog, achámos conveniente apresentar o livro de Sérgio de Sousa com o devido destaque.
-
De Rui Costa Lopes se diz, ainda no prefácio:
"Penso que o Rui assumiu o papel daqueles escravos a quem incumbia seguir atrás dos generais nos desfiles da consagração das vitórias, para lhes lembrar que não deviam deslumbrar-se consigo próprios. Só que", acrescenta o autor, "felizmente, nem o Rui, apesar de pedagogo, é escravo, nem eu sou, nem me pretendo, general vitorioso." (pag. XV)
De facto, como diz mais tarde, numa entrada do seu Diário de 8 de Julho de 2003, Rui Costa Lopes cumpriu de forma cabal o papel que nesta narrativa lhe foi distribuído.
"De tudo quanto publiquei", escreve o autor, "o Rui não achou o primeiro livro aquilo a que se costuma chamar promissor, embora na altura lhe tenha encontrado um pormenor interessante. Digamos", continua, "que não quis logo demolir-me. Do resto, apenas ressalva de Na senda dos utopistas três textos, «A Tríade», a que se recusa chamar-lhe assim, nomeia-o «Palimpsesto» - enfim, não será exactamente, mas com boa vontade admito que pudesse ter esse título -, e de que diz não fazer a mínima ideia do que eu quis dizer com o texto, mas o que quer que fosse, está dito, literariamente dito, são palavras suas, «A crónica inventada no Portugal contemporâneo», porque acha piada à figura da protagonista, e o texto «Na senda dos utopistas», porque nele «se abordam algumas ideias», sic. O mais são trouvailles, sem realização literária.
"Claro que o Rui faz o favor de continuar a ser meu amigo, apesar de eu não escrever nada de jeito, e por isso me aconselha a que deveria não ser apressado na escrita, deveria cuidar do literário.
"Ora reconheço que tento escrever nos poucos intervalos de tempo de que disponho, e isso imprime à minha escrita um cariz provavelmente diferente do que teria se dispusesse de uma estabilidade material que me permitisse estar tranquilamente num local aprazível a ocupar-me quase exclusivamente de escrever.
"Mas também procuro uma escrita incisiva e não contemplativamente espraiada. Aprecio noutros virtudes de linguagem, para mim chega-me que a prosa resulte inteligível.
"O Rui acha que se não me disponho - por preguiça, precipitação, falta de domínio de eventuais capacidades - a escrever melhor, então não deveria publicar. Enfim, eu farei o que quiser, acrescenta. "Quanto a ele, o de eu não sair de uma pequena editora, significa que o que escrevo não tem qualidade e ando a ser explorado. [Se o que escrevi não presta," pergunta o autor entre parêntesis rectos a indicar que se trata de um comentário contemporâneo da preparação desta edição e não do Diário propriamente dito, "porque havia de ser bem remunerado?]
"O Rui vinca que quer dizer-me as coisas sem me magoar, paternalistamente.
"Eu sei que os meus escritos não têm a qualidade literária dos dos escritores. Mas serão tão maus que não devam ser publicados?
"Outros ecos de leitura dos últimos não me chegam, talvez só uns escassos e daqui a meses. Poderiam eventualmente ajudar-me.
"Estávamos já na esquina da minha rua, o Rui e eu, para nos separarmos, quando apareceu o Edgar, e o Rui apenas teve ainda tempo para simpaticamente me consolar, que não me ralasse, livros que não prestassem, era o que mais havia."
E conclui a anotação do dia: "É a opinião dele, provavelmente acertada, sinceramente expressa, do modo menos ferino que consegue." (Pags. 528, 529 e 530)
-
O escravizado pedagogo, pelo que se leu, cumpriu o dever de advertir o general dos riscos de se deixar levar pela ufania.
Mas, como todos os escravos em tais circunstâncias, com a coroa de louros erguida na mão e as frases a soltarem-se, «lembra-te César de que és pó e que ao pó hás-de tornar, lembra-te César: nasceste nu e a riqueza que conquistaste não te seguirá atá à cova... Lembra-te de que a plebe hoje te aclama e amanhã te condenará à morte» e por aí fora, bastante deve ter irritado o General que se sentiu amesquinhado no seu triunfo.
Não nos custa imaginar que, um tanto fora de si, tenha desatado a dar pontapés e bofetões no pobre escravo:
- Cala-te, imbecil! Cala-te ou levas mais.
E bem imagino o pobre pedagogo atirado da quadriga abaixo, a populaça a rir do escravo caído em desgraça.
-
Foi, cremos, o que aconteceu à personagem Rui Costa Lopes na saga de Sérgio de Sousa. De vez em quando, zás, lá vem um estaladão, a propósito de qualquer coisa: «lá estava o Rui, com o pobre cão, o Rover fechado no jipe à espera» (pag. 512), por exemplo.
Pobre cão? Quererá Sérgio de Sousa sugerir que a sua personagem tratava mal o boxer que há longos anos lhe faz a melhor das companhias? O carro estava estacionado à sombra, claro, com as duas janelas da frente ligeiramente abertas. O Rover, como era seu costume, ocupara o lugar do dono mal ele saíra e sentara-se, muito direito, no banco atrás do volante, a olhar vigilante quem passava. A personagem, casualmente, lembra-se muito bem desse dia porque veio várias vezes com outros amigos e copos variados, cá fora para lhes apresentar o Rover.
O pobre cão é ainda motivo de outra entrada, essa escrita em Pedrógão, em plena serra D'Aire, num mês de Agosto.
"O Rui veio almoçar aqui trazendo o Rover, para quem cozi um osso com macarrão." (pag. 638)
Foi uma gentilíssima ideia do Sérgio: o Rover alambazou-se com o macarrão de que aproveitou até as migalhas que se espalhavam pelo chão de cimento e depois, de barriga mais do que cheia, deitou-se à sombra a roer o magnífico osso. E eu pude beneficiar de um lautíssimo banquete cozinhado pela Mãe do Sérgio - uma Senhora carinhosa na sua impecável hospitalidade.
O mal foi que, a seguir a esse almoço e à bica tomada no café, ao Sérgio lhe apeteceu um passeio digestivo - coisa aliás, natural num citadino como ele.
"Tentei levá-los depois à serra," escreve ele na continuação, "mas o Rover não aguentou nem o começo da subida. Obviamente o culpado é o dono, que lhe passou a «calaceirice».
O dono, claro, assumirá todas as culpas que pudessem caber ao «pobre cão», mas, efectivamente não terá sido responsável pela temperatura do ar, bem acima dos trinta graus, nem pela falta de água - não se preveniu por não saber que «íam à serra»: é claro que, pedindo muitas desculpas por ter estragado o passeio, optou por não deixar o Rover rebentar de sede.
Este tema «calaceirice» da personagem Rui Costa Lopes é glosada bastantes vezes. Por exemplo, na página 562 diz-se: "Não compreendo, falta-me o ânimo para fazer o que quer que seja.
"Engonho.
"À noite dei uma saltada a casa do Rui, que preguiçava."
É certo que o Rui não é nenhum hiperactivo; como se diz a páginas 406 "... se não se desse o caso de o meu Amigo ser um preguiçoso, que sempre se limitou ao que o obrigaram a fazer" e como se explicita na página 108, "Inteligente e frugal (ups, aqui ele tem de agradecer) o Rui não se esfalfa atrás do que não elegeu como essencial. Ele é filósofo, contempla, discorre e compraz-se."
E também: "O Rui, embora bem refastelado na vida, defende que só a Ideia o interessa. Um clerc, como escreve António Pedro Pita (quem será?), pretendendo que o seu reino não é deste mundo e, acrescento eu, que tudo quanto é social lhe é alheio, pior, o enfastia, pretende, o irrita, de facto."(a quem? ao António Pedro?)
Esta preguiça contemplativa acarreta, como se viu, uma outra característica talvez não muito invejável: a falta de sentido das realidades.
Sérgio de Sousa comenta: "é o cúmulo da falta de realismo!" a propósito de uma brincadeira acerca da nossa mania de pintarlucar umas telas pequeninas. Eu, com os acrílicos e as aguarelas, sou um tosco. E, de facto, o que eu estava nesse dia a sugerir era que ele devia arranjar um escritório, uma vez que passava a vida a dizer que em casa, por motivos que não compete ao pedagogo de serviço na quadriga dizer, não conseguia trabalhar.
Também, quando a Câmara Municipal de Sintra me premiou a novela A Siberiana, Sérgio de Sousa anota que assistiu à "cerimónia de comunicação da atribuição, não ainda da entrega, do prémio Ferreira de Castro de 1996, Literatura, ao Rui."
E conclui o seu relato: "O Rui pagou o jantar, dele e quatro acompanhantes, no Café de Paris, logo a gastar o valor do prémio que ficaram de lhe mandar." (pag. 68)
Que falta do sentido das realidades, de facto.
Mas mais:
"Reli há poucos dias A Siberiana, do Rui, agora editada em livro. [...] Gosto e desgosto desigualmente do livro. Acho-o literário, isto é, com o encanto de um arquétipo, sem reflexo na realidade." (pag. 190)
E antes, já tinha comentado que achava o "romance bem construído, socorrendo-se de uma estrutura policial" e que o Rui o tinha apurado "bastante." Porém, imagine-se, "Ele diz que não, e esta será mais uma das desavenças numa amizade de quase quarenta anos, como escreveu na dedicatória do exemplar que me ofereceu."
A entrada era de 1999 e a amizade, no fim de 2011 já vai nos cinquenta.
Talvez por isso Sérgio de Sousa se permite publicar agora um comentário de Março de 2000 em que diz o seguinte:
"Ao fim da tarde passo por casa do Rui, ocupado a rever a tese de mestrado - em que procura imputar determinado ideário filosófico a Eça de Queiroz - que a Imprensa Nacional publicará este ano, centenário da morte do escritor." (pag. 277)
O escravo que acompanha o General no seu triunfo tem de dizer que «imputar» não é uma palavra que lhe agrade neste contexto e que a toma por mais um empurrão para se ver livre da incómoda personagem que passa a vida a irromper pelo seu Diário.
Creio que lhe devo fazer a vontade e acabar de vez com essas desagradáveis desavenças.
Não convém a General nenhum, aspirante a um lugar entre os notáveis, que com eles constantemente se encontra e conversa, ter um chato de um amigo que não gosta da maioria das coisas que ele escreve, e que lhe aponta a dedo estendido o que de bom ele realmente tem escrito como um modelo que poderia seguir se escutasse os seus leitores, os seus amigos: «Tríade» (e não Palimpsesto, peço desculpa), por exemplo, «A Dona do Cachorro», «Nas férias», «Na senda dos utopistas», «Dr. Virgolino e as suas amigas» e pronto, coisas assim, a que se podia agarrar e desenvolver... se quisesse ou se tivesse tempo.
O Rui que o seguia na quadriga e lhe moderava as fanfarronices, apeou-se, atirou com a coroa de louros ao caraças e foi-se embora.
Deseja muitos sucessos e muito boa sorte ao Senhor General.
-

sexta-feira, setembro 16, 2011

Não gosto

Não gosto. Não gosto e não gosto.
Não gosto. E não gosto mesmo.
Também não gosto e tenho raiva a quem gosta.
Disse.

terça-feira, janeiro 11, 2011

sexta-feira, setembro 24, 2010

Tema para a meditação de hoje


Índice de civilidade per capita
(estimativa até 2030)
Pronto.
É melhor dizer já:
Eu não acredito que este país esteja perdido.
É certo que eu próprio fui dar comigo a resolver um daqueles enigmas que se chamam Sudoku.
Mas não pensem que era um daqueles a quem os encarregados das páginas de entretenimento chamam «fácil» só porque, se o paciente puxar pela cabeça, consegue resolvê-lo todo, de uma ponta à outra, dedutivamente e de uma assentada.
Não.
Era um daqueles que são ditos «difíceis», não porque tenham alguma complexidade intrínseca, mas porque são chatos. Chatérrimos.
Se não, vejam!
No jornal donde eu gasto, os oitenta e um quadradinhos medem 0,64 centímetros quadrados cada. Não é muito, mas cabe lá bem um algarismo, dois ainda à-vontade, três já se acotovelam com certo desconforto. Quando dei por mim, já estava a tentar enfiar quatro e cinco algarismos naqueles espacinhos minúsculos! Ia em mais de metade das casas a preencher e ainda só tinha descoberto meia dúzia de soluções seguras!
"Isto admite-se?", exclamei, porque, acreditem, eu farto-me de falar sózinho ou, quando tenho sorte, com o meu cão. "Por alma de quem estou eu aqui a fazer papel de parvo?"
Recordei os meus falacidos mais próximos e concluí que nenhum merecia tal penitência. Outras sim, decerto: ir a pé a Fátima, dar uma esmola mais vultuosa, participar nas despezas da capela de Nossa Senhora das Necessidades cá da terra, enfim, contribuir o melhor possível para a remissão dos seus pecados quando os tivessem, era uma coisa.
Mas um Sudoku?
"Queres ver que ando deprimido?"
Gostaria de poder dizer que arrojei de mim a folha vil, mas não.
Bocejei, por um instante pensei nas inúmeras tarefas que tinha para fazer, tirar a loiça da máquina, comer uma maçã, dar o almoço ao meu parceiro que estava deitado lá fora a apanhar sol, coisas destas, importantes e com sentido... e acreditem, voltei as páginas.
Esforcei-me por ler atentamente qualquer coisa em que se falava do Carlos Queiroz, mas, com franqueza, era mais deprimente ainda. Os bocadinhos do humor do Mec e do Luís Afonso, fizeram-me sorrir, relanceei um outro artigo que falava da justiça, mas não era da nossa porque não fazia menção nem da Casa Pia, nem dos sobreiros abatidos não sei onde e muito menos do Freeport.
Noutro lado era o estado da Economia, o orçamento, a dívida pública.
E aqui, olhem, senti-me como se estivesse outra vez a resolver o enigma do Sudoku: casinhas muito apertadas para tantos algarismos a enfiar lá dentro.
Digo-vos: sou um completo leigo na matéria. Sei que quem de dois tira três, entra em negativos e pronto. É como no bridge: quem não cumpre o contrato, são os cabides, vai para o buraco.
E é onde estamos, dizia anteontem o Dr. Medina Carreira, ali na televisão.
Confesso: eu gostava de o ouvir todas as semanas - não tanto o Nuno Crato, mas pronto.
Mas, na verdade, não acreditava muito no que ele nos dizia.
Vejam se me entendem:
Eu sei, toda gente sabe que, a partir do momento em que o Cavaco se apanhou com as massas da CEE, os seus governos acharam que era para gastar e ponto. Estou a lembrar-me, por exemplo, de três hospitais que se construiram ali ao pé uns dos outros: Tomar, creio, Abrantes e Torres Novas, não foi? E pontes e Lusopontes, autódromos e auto-estradas! E as metalo-mecânicas a fechar, os condomínios já fechados e as armações de pesca a serem desmanteladas. E o Sr. Russell, pois claro.
Foi um «cá-vai-disto»! E depois foi a Expo que mostrou à Europa que nós também sabíamos organizar eventos e foi a «paixão pela educação» e mais o Euro 2004 que, salvo alguma falha de memória, foi lançado com grandes parangonas e a ajuda de um tal Carlos Cruz, à altura cidadão exemplar.
Pronto, era o progresso.
Só que, a seguir, veio o déficit.
Como o deficit, perguntávamos nós, não temos um desenvolvimento do catrâmbias? Sim, mas eram precisas mais auto-estradas, mais submarinos, mais uma travessia da Lusoponte e mais um TGV. Era preciso vender património do estado, disse a Tia Manuela.
E eu perplexo.
Podia lá ser, dizia para comigo mesmo, ou com o meu cão, já não me recordo, podia lá ser que os governos que nós elegemos tão cuidadosamente que por vezes nem a maioria absoluta lhes demos, nos tivessem pregado a partida e tivessem desatado a gastar mais do que o que tínhamos nos bolsos!
Não, acredito que é só o pessimismo de velhote do Dr. Medina Carreira, ou, como vem no meu jornal, a rezinguice do Vasco: "O FMI" escreveu ele "... talvez convencesse o eleitorado da irremediável irresponsabilidade do regime e dos políticos que o exploram e conduzem."
Como se um ministro, que é pessoa que sabe e nos diz que está tudo controlado, pudesse ser um mentiroso!
Basta, afirma um deles, um novo aumento dos impostozinhos, umas portagens nas SCUT e está tudo sob contrôle.
E eu, eu acredito.
São estas fés - se a fé tem plural - o suporte do mundo: sem os crédulos, os que temem a Deus e à Polícia, os que acreditam no bem comum, o que seria dos impostos? E sem estes, que seria de governos, de banqueiros, de têgêvês, de aeroportos do Montijo?
Lembro-me de uma lenda antiga que dizia que eram quatro homens justos quem sustentava a abóbada do mundo: eu acho que não.
Serão quatro verdades, talvez. Quatro coisas inabaláveis: Deus, Pátria, Família e o Governo da Nação, mais coisa menos coisa.
Eu acredito nelas todas.
Porque se não, era a revolução, a anarquia e, quem sabe? o pleno emprego, a sociedade do lazer...
Tudo coisas terríveis, olhem lá Cuba e os Gulagues e o Cambodja e o regime do Pol Pot.
Devo ter suspirado, voltei mais umas páginas e regressei ao princípio, ao Sudoku com os seus númerozinhos impossíveis de enfiar onde já não cabem. Havia uma casa onde só podia ser ou um 2 ou um 6. Apressei-me a escrevê-los, talvez para fugir à sensação de que todo aquele passatempo mais não era do que uma metáfora.
Mas de quê, raios, de quê?

domingo, maio 16, 2010

Tema para a meditação de hoje


"Salários record em plena crise
Os 584 conselheiros executivos e altos directores das empresas do Ibex 35 cobraram, em média, um milhão de euros no peor ano da recessão..."
-
(El País, 16 de Maio)
-
Ai sim? E já viram os do PSI 20?
E os do ano que vem?

terça-feira, dezembro 22, 2009

Jingle bels, jingle bels, ta-ta-ri-tatá,,,


Um Auto de Natal
-
A cena passa-se na estrada para Belém.
Três camelos carregados com os Reis Magos vão conversando.
-
Zé Camelo (cansado) - Ainda temos de os carregar por muito tempo?
Camelo mais velho (pacientemente:) - Ná! Dizem que é só até ao dia seis ...
Zé Camelo (duvidoso) - Ah! ... E tu acreditas?
Camelo mais velho (pacientemente) - Claro! Todos os anos há um dia seis em Janeiro, não há?
Zé Camelo (com uma vaga esperança) - Mas é só no Natal, não é?
Camelo mais velho (pacientemente) - Bom, é também no Dia das bruxas, por exemplo. E no São Valentim, no Dia da Mãe, na Páscoa... Mas é sempre Natal. Nunca ouviste dizer que o Natal é sempre que os homens quiserem?
Zé Camelo (admirado)- E os homens são esses que vão lá em cima?
Camelo mais velho (pacientemente) - Conheces outros?
Zé Camelo (cabisbaixo) - Então e nós?
Camelo mais velho (pacientemente) - Nós? Nós somos os camelos.
Zé Camelo (meditativo) - Hum...
Terceiro Camelo - Oxalá nos dêem azevias. Das de grão. O Bolo Rei já não se aguenta...
(Cai o pano)
-
O Portugal, Caramba!
deseja a todos os seus amigos
um Feliz Natal

sábado, outubro 17, 2009

Implosão

Dizem que o estádio Mário Duarte tem de ser implodido.
Concordo.
Não é, como alguns podiam aleivosamente pensar, pelo facto de eu não gostar de futebol, o que até nem é verdade, vejam lá.
Gosto sim, senhora! Gosto de ver os putos a correr, como eu corri, atrás duma chincha, aos gritos de «passa, c...!».
O que eu não suporto são os jornais da «bola», que se arrogam o direito a ser designados como «desportivos».
Desportivos? Aquilo? Imaginam?
Mas, pronto. Façamos de conta. Ainda há pior, dá para crer?
-
Há, garanto-vos. Há os pugramas da televisão, com as genialidades do costume, desde o Sr. Oliveira e Costa que é sondeiro, ao câmara-man Fernando Seara, ao animatografista António Pedro de Vasconcelos e ao físico Dr. Barroso, ao Sr. Medeiros Ferreira que já foi muita coisa e agora não sei o que é, para só falar destas, que são as eminências.
O que vale é o comando à distância: daqui onde vos estou a escrever, clic, e pof! Não sei para que freguesias irão pregar, da minha, desaparecem.
-
Compreendem que eu ache bem a implosão do estádio de Aveiro. Preferiria, claro, que ele fosse explodido.
Não é preciso ser Engenheiro Civil (nem primeiro ministro sequer) para perceber que os pedaços de betão, atirados pelos ares, dariam uma péssima imagem do nosso pobre país. Além de esburacarem consideravelmente os já de si precários lares dos aveirenses, de lhes partirem os vidros, quem sabe até se não entupiriam a ria de Aveiro, mais do que a poluição, claro, e até podia bombardear gravemente a base aérea de São Jacinto - onde, felizmente, ainda ninguém pensou em fazer o novo aeroporto de Lisboa.
Eu sei disto tudo!
Mas já viram?
O dito Estádio Mário Duarte, de Aveiro, custou uma beca. Tinham-se previsto uns trinta milhões, mas foi parar quase aos sessenta e cinco. Dinheiro que, em vez de gerar alguma riqueza, como seria de esperar, anda a gerar tais despesas que não há quem aguente, muito menos a câmara de Aveiro.
Não se podia fazer como o muro de Berlim?
Escaqueirava-se e vendiam-se os bocados a bom preço?
É claro, primeiro tinha de se encomendar uma pinturas, assim para dar ar de que também somos artistas. Reservava-se uns metros quadrados para o Pomar, por exemplo, mais um ou dois que não cito para não criar invejas, depois entregava-se o restante a umas crews de Lisboa e do Porto - uma havia de ser local com direito a entrevista pela Drª Moura Guedes, pelo menos - para grafitarem à vontade.
Quando fosse da explosão, já viram o que podia valer cada bocadinho?
Podiam vender-se bilhetes para assistir, abrilhantava-se com fogos de artifício para dar cor, ganhava-se um dinheirinho a alugar capacetes tipo das obras, vendiam-se umas bebidas...
Depois era a parte verdadeiramente comercial.
Uma boa carga de explosivos havia de fazer, pelo menos, vá lá, uns dez mil pedaços de bom tamanho. Vendidos a seis mil e quinhentos euros cada, mais depesas de recolha e de entrega, só isso já pagava o investimento.
E ficava toda uma indústria para os aveirenses: catar pedacinhos de betão, pôr dentro de uma caixa e vender aos turistas junto com as barriquinhas de ovos moles.
Estou a imaginar os comerciantes: «está a ver aqui este cantinho? Não é sujo, não senhor! É uma pincelada ocre da Paula Rêgo; vinte euros e não se fala mais nisso.»
Direis: e os vidros partidos? E os telhados arruinados?
Tudo tem solução. O Governo abria uma linha de crédito bonificado para os proprietários fazerem as necessárias reparações. É o que se costuma fazer com todas as catástrofes, chuva, incêndios, inundações, quedas de pontes, tudo. E não me venham dizer que o Euro-2004 não foi uma catástrofe para este pobre país, porque foi.
Façam as contas e digam-me: venderam-se muitos hectolitros de cerveja, pois venderam. E que mais?
-
Se o negócio pegar, temos a seguir o de Coimbra que, informam-nos(1), era para custar catorze milhões e custou cinquenta e seis, Leiria que subiu de trinta para setenta e quatro. E depois Faro-Loulé, também havia de ser jeitoso. E Guimarães; e o Beça, mesmo se desses não sei os preços.
Quando se acabassem - enfim, poupava-se o Dragão que parece ser rentável - até se podia construir mais para se ir explodindo. E já viram? Quanto maior fosse o delizar dos custos, melhor: mais caros se vendiam os pedacinhos.
Ou em alternativa, talvez o Alqueva. Já alguém nos disse quanto custou efectivamente e quanto está a render?
-
E enquanto andássemos entretidos a construir e a explodir, deixávamos em paz a pobre da Maïté Proença que, para além de ser muito bonita, tem o sorriso mais sedutor que eu me lembro de ter visto(2). Lembrem-se: uma mulher bonita teve, desde sempre, o direito a dizer o que lhe passasse pela cabecinha e nós, cavalheirescamente, só temos de sorrir e dizer que sim, pois claro, isso e o contrário se for preciso.
Nunca, por nunca ser, temos o direito às explosões de grosseria como a destes últimos dias. E manifestações de desagravo, já me chegaram as do tempo do Salazar.
Disse.
-
1) Nem sob tortura revelaremos que a nossa fonte foi o jornal Público de 16 de Outubro, p. 11.
2) Pensando melhor, estou a lembrar-me de alguns outros, bem sedutores também, e que eu conheci mais de perto.
-

quarta-feira, setembro 30, 2009

Clareza e distinção

Regra primeira, dita da evidência:
" Le premier était de ne recevoir jamais aucune chose pour vraie, que je ne la connusse évidemment être telle..."
R. Descartes, Discours de la méthode, AT VI, pag. 18

segunda-feira, agosto 10, 2009

Sem título

Meninos de oiro, o caraças!

quinta-feira, outubro 02, 2008

Marketing agressivo ou falta de chá?

.
- Oi, ganda maluco! Tá-se bem?
.

Acreditam?
O meu novo computador passou-se e desatou a tratar-me por "você"!
Não sei quem foi a gentil empresa que achou que era fixe tratar-me assim, como se estivesse em casa do seu sogro. E logo a mim, que, de pequenino, ouvi dizer que «Você é estrebaria...»
Mas deve ser uma nova técnica de marqueting agressivo.
Ou então, pronto: é o Português do Brasil, mesmo se, acredito, por lá também sabem dizer Senhora e Senhor.
Mas há pior.
A TMN, por exemplo, também acha bué da cool rematar as mensagens que me manda com um descontraído «até já».
Até já? São parvos? Acham que eu sou da idade deles?
Eu sei que já não se usa o tradicional «de V. Exª. atentos, veneradores e obrigados», mas daí ao à vontade de um «até já» parecia-me ir alguma distância.
«Os nossos cumprimentos», por exemplo, talvez exigisse mais uns caracteres, mas era educado.
Até mesmo não pôr nada seria preferível. E que tal apenas «obrigado»?
A mensagem que me mandaram hoje ficaria assim: «com este carregamento acumulou X pontos. Para consultar saldo ponto t (actualizdo cada 24h) envie SMS gratis c/'pontos' para 12096 ou va http://www.tmn.pt/. Obrigado.»
Enfim, não seria o cúmulo da educação. Mas já era aceitável, sobretudo se se lembrassem de que, no português, de Portugal como do Brasil ou de Cabo Verde e Timor, há acentos que se podiam pôr em «grátis» e «vá». E também há virgulas, sabiam?
Mas não. Em vez do simples obrigado, a empresa permite-se acrescentar: Ate ja. Também sem acentos, claro.
São analfabetos, dir-me-eis.
Não, não creio. São malcriados, pronto.
Mas, há mais.
Não é que a mesma TMN se autoriza o envio de mensagens como esta: «Habilita-te ao CD do filme Mamma Mia! Personaliza o sinal de chamada com musicas do filme....»
Acentos, claro, também não há.
Mas, sobretudo, não me lembro de ter autorizado quem quer que fosse a enviar-me esta publicidade obviamente não solicitada.
E muito menos a que um bando de nem-sei-que-lhes-chame analfabetos me trate por tu.
Sabem que mais?
Acho que os mentores desta agressiva campanha de marketing se inspiraram naquelas senhoras que dantes nos convidavam a telefonar para as linhas eróticas e diziam com voz doce: «Mi liga, vá... »
Acreditam?

terça-feira, junho 24, 2008

Aleivosia

O Portugal, Caramba! tem estado um tanto parado devido a uns pequenos problemas com um certo animalejo... A gente não alumia o nome ao bicho porque a nossa mãezinha ensinou que essas coisas não se dizem (sobretudo à mesa, mas vá lá) porque é feio. E pronto.
A gente agora vai ver é se o animalejo se despacha: à uma, já estamos com saudades de dizer mal do governo; e depois, até tínhamos um um bom motivo para fazer feliz o Vasco Pulido Valente a dizermos que nos estamos nas tintas para o futebol e que achamos que é uma alienação sim senhor. Por isso a gente quer lá saber que a selecção tenha perdido com Suíça e ainda menos com a Alemanha.
Mai-nada!

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Trolling

Não sei a que mitologia pertencem os Trolhos. Nos livros do Tolkien, trolls são umas criaturas muito grandes, muito pouco inteligentes, que adoram andar à trolha. Assim uma espécie de forcados, como os do grupo saudoso de Salvação Barreto, que, reza a fama, andavam por cabarés e casas de fado a provocar os indígenas. Sempre de noite. O Cais do Sodré talvez ainda recorde as suas façanhas de copo e estaladão, acompanhados à viola e à guitarra como convém. As calçadas recordam-lhes os passos arrastados no fim da noite, a caminho dos últimos sopapos no Cacau da Ribeira. Recolhem aos primeiros alvores, dormem enquanto a noite não volta.
Também os trolhos, os do Tolkien pelo menos, só vivem na obscuridade e, triste maldição, se forem apanhados pela luz solar, transformam-se em calhaus para todo o sempre.
Os nossos, pelo menos os da minha mitologia privada - e, adiante-se, muito pouco caridosa - já são calhaus, por isso nenhuma luz, e muito menos a da Razão, lhes faz mossa.
Que fazer quando os vemos, com um riso gravado nos seus basálticos rostos, a perorar sobre a sua própria magnificência?
Não muito. Desligar-lhes a televisão na cara, ao menos, já é um começo. Aceitam-se propostas para a continuação.

domingo, novembro 04, 2007

Quando a emenda é pior do que o soneto

Juro: tentei com todas as forças. Esforcei-me. Rabisquei, apaguei, voltei a rabiscar. Nada. Nada saía. Nada entrava. A mais perfeita neutralidade ou, se preferirmos, a completa nulidade.
Algumas caras são desenháveis, por muito que se não goste delas. A de um boxeur europeuìzável, por exemplo.




Outras, saem-nos tão mal, mas tão mal, que apesar de porfiados esforços, nada melhoram. Quase se poderia afirmar que a culpa é do modelo. Esta senhora é um excelente exemplo: porque raio não tem ela uma cara desenhável?



Mas, como diria um cómico da nossa praça, "o verdadeiro artista", não desiste nunca. Faz ele bem.



Nós, que não temos tantas pretensões, imitamo-lo tanto quanto podemos. De fracasso em fracasso havemos de chegar à vitória final.


sábado, novembro 03, 2007

sexta-feira, novembro 02, 2007

terça-feira, outubro 02, 2007

O Rei na barriga?

Disclaimer ou coisa que se pareça: este grunho aqui em cima não é o senhor que se poderia pensar, mas como esse tal, que não é este, está de luto, não se diz mais nada.

quinta-feira, setembro 27, 2007

A Mãe queria que ele fosse canteiro

Mas deu-lhe Deus outro destino.

Disclaimer, ou coisa assim: este grunho aqui de cima não é nenhum engenheiro, por isso escusam de se pôr com ideias.