terça-feira, setembro 11, 2012
Hegel
sábado, abril 21, 2012
In fine
(que é a essência do fundamento)
Lamento,
Mas quero lá saber:
Já não vamos estar cá
Para ver.
terça-feira, janeiro 26, 2010
Dados empíricos
terça-feira, outubro 07, 2008
A Metafísica é uma arma ...
terça-feira, agosto 26, 2008
Mails de férias
(Resposta a um convite para ir almoçar a Lisboa e percorrer depois, em passo descansado e facunda conversa, a Feira das Velharias de Belém)Amanhã é que a minha ida (com o perdão pela palavra má:) é bué da provável. Eu explico. Hoje de manhã apanhei um susto terrível.
O caso não foi para menos.
Os meus cães que dormem nos tapetes do meu quarto, um de cada lado da cama, devem ter ouvido ruídos de automóveis, vozes, gente a passar. Como sabes, moro num sítio isolado e esses gentis animais nossos amigos consideram que que se passa a menos de um quilómetro do portão é uma clara invasão do seu território. E vá de fazer um escândalo tal que me acordou espavorido.
Na altura, nem me lembrei do poema:
Mas, enfim, tudo isto para dizer que, completamente estremunhado, talvez mesmo em estado agudo de sonambulismo, lá fui tropeçando abrir a porta do quintal. Os cães saíram em grande grita e atropelo, espero que tenham dado alarme às três rolas que sobraram do ano passado e que elas tenham dito umas para as outras:
«Fosga-se! Porque é que estes gajos não se agarram uns aos outros em vez de nos virem fornicar a nós?»
E foi quando, sem querer, encarei com a minha própria imagem, a olhar-me do lado de lá do espelho, olhar vítreo, as pálpebras a meia haste como se estivessem a cumprir um luto nacional qualquer.
Em alturas destas não admira que nos ocorram as mais pitecantrópicas reflexões.
Para além das metafísicas, do tipo «então isto é que é a imagem e semelhança de Nosso Senhor?» e «é pá, além de velho, estás ficar feio como o caraças», surgiram outros pensamentos mais comezinhos (mas igualmente vãos) do tipo «amanhã vais a Lisboa e cortas essa trunfa toda a ver se ficas com melhor cara, òvistes?»
E pronto: as mais graves e solenes decisões da história da humanidade – por exemplo, quando o Hitler disse a si mesmo, «pá, bora invadir a Polónia!» – são tomadas com a mesma ponderação com que eu declarei: «Amanhã vais a Lisboa, cortas o cabelo e almoças com o Sérgio! Tá decidido!»
Receio que, ao receberes este mail, estranhes a linguagem em que vai escrito, desbragada e tão contra os meus cavalheirescos costumes. Mas tem uma explicação que talvez ajude a desculpá-la. É que todos estes graves acontecimentos ocorreram às seis da manhã. Imaginas? Quase de véspera!
Um abraço.
Tacci
sexta-feira, outubro 26, 2007
Mea Culpa
A propósito de um post do "Portugal, Caramba", um amigo mandou-nos um mail, nem por isso muito educado e que eu transcrevo sem vénia nenhuma porque ele não merece:«Pá, escreveste uma coisa sobre ter o rei na barriga e não te lembraste da quadra do João? Não achas que era tua obrigação falar nele, e já agora, no Leal?»
A este «amigo», que não me autorizou a chamar os bois pelo nome (toma!), só posso dizer que pode ficar com a bicicleta: eu não conhecia esta quadra do João Bessa, como não devo conhecer duzentas mil outras que estão na colecção privada dos amigos recolectores de guardanapos, toalhas de papel e bilhetes de autocarro.
Quanto ao Zé, o José Bação Leal, eu não o conheci tão bem como este «amigo» e creio que o recente filme da senhorinha Luísa Marinho, de seu nome "Poeticamente exausto, verticalmente só» contribuirá muito mais e muito melhor para o dar a compreender.
Posto isto, e dado que o «amigo» tem razão (mesmo se eu me recuso a dar-lha) aqui fica a quadra do João Bessa:
Eu queria ser Monárquico,
mas há uma coisa que m'intriga:
haverá rei bastante,
p'ra tanto qu'o traz na barriga?




