
quarta-feira, abril 09, 2008
A Batalha de Não-sei-onde e os anos da Gi

sexta-feira, abril 04, 2008
Joseph Ratzinger V
, terem sido chamados ao Vaticano e, em calhando, nem era preciso. sexta-feira, março 28, 2008
É a saúde, estúpido!

Médico - Sente-se, homem! (o paciente executa) Análises? Pra quê?
Paciente - Para quê?
Médico - Sim, análises, radiografias, toda essa treta para quê? (pausa) Basta olhar para si. (apontando um dedo:) Clinicamente morto.
Paciente - Desculpe, Soutor, mas...
Médico - Deixe ver as unhas (o doente mostra). Unhas raiadas, vê estes riscos? E arroxeadas. Não sente uma dor aí, por de baixo do mamilo esquerdo?
Paciente (com alívio) - Não, isso não...
Médico - Pode ser um bocado mais abaixo. Está cheio de gordura no fígado.
Paciente - Mas não sinto, não.
Médico - Vai sentir. É um sintoma que nunca falha. Pode ser da próstata. Quantas vezes é que se levanta durante a noite para ir mijar?
Paciente - Não. Pronto, quer dizeer, é muito raro, Soutor. Claro, às vezes, assim com os rapazes, um petisco, bebe-se um pouco mais de cerveja...
Médico - Cerveja? O meu amigo bebe cerveja? Nesse estado e bebe cerveja?
Paciente - Não, é só umas canecas de vez em quando. Mas, ó Soutor, qual estado? O Soutor não...
Médico (interrompe) - Pá! O amigo é que sabe, pá. Apanhe as bebedeiras que lhe apetecer. Mas não me venha para cá dizer que lhe dói o fígado. (abre o envelope e tira uma folha de papel) Olha-me só para esta ósteo: zero, setecentos e setenta e cinco gramas por centímetro quadrado.
Paciente - Gramas por centímetro quadrado?
Médico - Sim. Quadrado. Queria que fosse redondo, ia à Caixa. Isto é um consultório a sério.
Paciente - Não. É só porque gramas por centímetro quadrado não faz sentido. Um centímetro quadrado tem espessura zero, como é que pode ter peso?
Médico (enche-se de paciência) - Pá! Olhe, meu amigo! Os gajos andaram mais de vinte anos a calibrar esta merda e o meu amigo vem-me para aqui com gaitas? E eu a aturá-lo? Ou quer ou não quer, porra! Eu digo as coisas: olhe-me esse fígado, essa dor vai-se agravar, pá, não toma cuidado, e depois, bumba! Missa de sétimo dia e tal... começam à conversa, pois, o médico é que não viu nada. E vêm os seus cunhados, os seus primos, essa gente, ai coitadinho, era tão bom chefe de família, e bumba: processa-se o médico, que, por acaso até sou eu. Acha bem?
Paciente - Não, oiça Doutor...
Médico - Não faz mal. Não diga nada! Eu já estou habituado, quero lá saber! Até já sei porque é que o meu amigo cá veio! Quer viagra! Todos querem!
Paciente - Ó Soutor, desculpe! Aguente aí os cavalos!
Médico - Mas não quer viagra? Olha, é estranho.
Paciente - Não. Sim, quero, mas não é bem isso.
Médico - É o quê, então?
Paciente - Pronto, Doutor, é assim: eu ando a deixar de beber e de fumar, essas coisas que fazem mal, é o que se diz...
Médico - Meu filho! Meu irmão! Tu fumas?
Paciente - Pois, Senhor Doutor, infelizmente...
Médico - Pá! Tu fumas e não dizias nada? (abre a gaveta e extrai um tabuleiro com tabacos vários:) Fumas o quê? Eu vou tirar um destes. Recomendo-tos: puros!
Paciente - Ena pai! Tem aí Stagonov, um dos melhores tabacos do mundo. Dá-me licença de que encha um cachimbo? (executa) E podemos fumar aqui no consultório?
Médico (acendendo o charuto) - Se prometes que não dizes nada à Asae... Ah...
Paciente (acende o cachimbo) - Hum...
Médico - É... também estava a precisar... hum... Afinal, veio cá porquê?
Paciente - É que não consigo deixar de fumar, está a ver? E sabe, com um copo ou outro...
Médico - Sei, ó se sei! (tira de baixo da secretária dois cálices e uma garrafa e começa a servir) Vai uma gota? É uma aguardentezinha bagaceira, destilada à saída do lagar. É tão boa, pá, que já deve ser proíbida.
Paciente - Agradeço... (prova e estala a língua ) Preciosa! Tintos da Estremadura, talvez ali mais perto do Ribatejo... Alenquer! Não, Carregado ou Azambuja! Acertei?
Médico - Quase! Vila Nova da Raínha. Uma quinta de uns amigos meus. Lá é que ainda se vive bem. Cavalos, dinheiros da Cê-é-é... Ainda bem, que lhes preste! Ao menos sempre sobra alguma coisa.
Paciente - Pois. Ele há coisas... Esta bagaceira, os enchidos... Às vezes sinto-me assim esquisito. Não é que eu seja religioso, mas penso que Deus nos está a castigar, só assim, por sermos felizes e estarmos bem. E pronto, tenho medo. Tenho medo das cirroses, tenho medo dum a-vê-cê, tenho medo do cancro... é mesmo verdade que o tabaco é cancerígeno?
Médico (mirando o charuto) - É. Receio bem que seja mesmo. Mas sabes uma coisa? Há uma vacina porreirinha contra tudo isso. Amandas-te do nono andar, com a cabeça para baixo de preferência. 100% de eficácia. É um bocado radical, mas garanto-te que não apanhas mais doença nenhuma!
Paciente - Porra! Prefiro este cachimbo.
Médico - Viver é cancerígeno, pá. Não sabias? Mas olha, podes fazer como o palerma do chinês: sentas-te à beira do rio e esperas o tempo suficiente. Verás o cadáver dos teus cancros passar na corrente. Olha, e se não vires, também não perdeste nada. Ganhaste o teu cachimbo, não foi? E, meu caro amigo, vou-lhe passar a receita do viagra enquanto acaba o seu copo. Trate-me, mas é desse seu dente: com o bagaço e o tabaco de cachimbo, vai ficar com um mau hálito do caraças.
(cai o pano)
terça-feira, março 25, 2008
Numming Up
Estou a rir-me devagarinho, para mim mesmo porque o meu cão dorme e não há mais ninguém nas redondezas. Não que, reconheço, o motivo desta minha íntima risota tenha piada. Aqui para nós, o acontecimento careceu mesmo em absoluto de um grama que fosse de sentido de humor.
Uma Professora (1), algures lá para o Norte, passou-se dos carretos, apreendeu um telemóvel. A proprietária do dito, em histeria completa, tentou arrancar-lho. Gestos largos, gritos agudos, empurrões.
Se fossem homens, teria havido um grito viril: «agarrem-me, senão eu mato-o!» Como eram mulheres, faltou o arrancar de cabelos para que se cumprisse a tradição.
Sobre esta caricata cena que nos chegou através, aí sim, do sentido de humor dum outro pssuidor de telemóvel com câmara de video, não vou perder o meu tempo e menos ainda o meu parco latim.
Já se condenou toda a gente, desde a aluna agressiva, ao ministério, ao ensino público, à degradação da Autoridade (com maiúscula, está bem de ver) quer da Escola, quer dos Educadores.
Não faltou sequer o parecer jurídico (é inconstitucional a aprensão do objecto, mesmo que esteja no regulamento da Escola), nem a Psicologia.
Não era o Dr. Eduardo Sá aquele Senhor que no You Tube tecia suaves (mas contundentes) críticas à actuação da Professora, a qual devia ter feito e acontecido em vez de taratátá & companhia?
Renitente embora, vou-vos confessar uma coisa: comecei a trabalhar há bué da anos. Não sei, talvez em 1964. E fui professor, pela primeira vez a sério, no ano lectivo de 1972/73. E houve coisas que fui aprendendo, daqui e dali, frases feitas, por vezes.
Uma delas, particularmente acutilante, foi-me ensinada pelo Leonel Pires Lourenço, que Deus lhe fale na alma.
Trabalhávamos ambos na rádio e era ainda o tempo em que os circuitos integrados, último grito da técnica, faziam a sua entrada nos hábitos dos nossos engenheiros. As válvulas, as lâmpadas e os bicórdios eram a mais prudente aposta da tecnologia nacional e predominavam por todo o lado.
Ninguém já faz ideia do que era a nossa central técnica numa tarde de Domingo, quando os relatos de futebol eram escutados religiosamente por tudo o que era lado. Os clubes, da primeira divisão à terceira distrital, jogavam todos ao mesmo tempo. Havia dezenas de bicórdios a sair dos bastidores, a ligar os relatores dos futebóis aos amplificadores, tudo simultaneamente no ar.
Necessariamente, na coordenação de centenas de ligações, alguma coisa havia de falhar. Porém, se nos criticavam os erros de operação indistinguíveis, aliás, das falhas do material, o Leonel ria-se pelo canto da boca e atirava:
- Ai é? Então venham cá vocês fazer c'a tromba!
A tromba em questão não era, como poderia ocorrer a um menos precavido, o lisonjeiro apêndice nasal do elefante. Era mesmo a tromba do porco.
Uma sala de aula é, com as devidas distâncias, uma complicação ainda maior do que a da nossa Central Técnica.
Lembram-se dos Telebes, ou lá o que era? Lembram-se da discussão sobre o regime de faltas dos alunos?
Às trapalhadas do Ministério que quer controlar tudo, junta-se a trapalhada das educações improvisadas por pais incompetentes, a luta pela conquista do mercado pelas editoras escolares. À banalização dos divertimentos nocturnos, com as variadas intoxicações, veio juntar-se a evolução tecnológica, que dotou cada criança, cada adolescente de acrescidos meios de estarem «noutra».
As probibilidades de uma aula falhar tornaram-se demasiado altas. A pobre Professora lá do Norte que se passou dos carretos, tem o meu inteiro apoio se gritar de lá a sua indignação:
- Venham cá vocês refocilar nesta estrumeira, a ver se fazem melhor!
Mas o que é que está errado então, perguntais?
Era uma tentação esticar agora o dedo acusador e disparar em todas as direções. Este mundo da educação está de tal modo coberto de alvos que nem precisava de apontar: acertava sempre, quase como os soldados americanos no Iraque. Disparem para onde dispararem, acertam sempre num inimigo.
Mas não. Recuso-me a tentar responder, e isto por duas ordens de razões bem distintas entre si.
A primeira é esta: não quero acrescentar ao fungagá que já se gerou, a mão cheia dos meus próprios palpites. Já estou muito cansado, quer das soluções milagreiras, como, para dar um exemplo, o cheque ensino dos Blasfemos, quer dos pequeninos remendos paliativos que cosem de um lado para esgarçar do outro.
É que uma discussão a sério teria de começar por questões tão vastas como:
- Queremos ensinar, queremos formar, queremos formatar? Queremos educar? Para quê? Quem? E devemos obrigar a aprender? E podemos fazê-lo? Quanto queremos gastar?
- Ah, bom! Queremos tudo, mas não há verba, é isso? Então, vão-se lixar e não chateiem.
A segunda das razões é muito mais simples: falar do Ensino era, para mim, falar da minha vida quase toda. E ainda não me apetece fazer balanços finais (ou os Summing up, para fingir que também sei falar estrangeiro). É só isso. Sorry.
Deixem-me só acrescentar mais uma coisa: quando ainda andava pela rádio, no meio da insurreição de Abril e nas confusões que se lhe seguiram, uma muito querida amiga ensinou-me mais uma das máximas que passaram a acompanhar-me desde então e que seria digna de Lao-Tzé:
Quanto maior era a asneira dos nossos Directores, quanto mais flagrante a falta de senso - e de decência, por vezes - maior era o seu sorriso.
- Pagam-nos mal, - dizia. - Mas divertem-nos muito.
Compreendem porque é que eu disse, lá em cima, no início do post, que me estava a rir baixinho?
(1) Os senhores professores universitários gostariam que reservássemos «Professor», por extenso e com maiúscula, a um dos graus da sua hierarquia. Como não são eles quem nos paga e, confessemos, nos divertem pouco, o melhor é não ligar.
sexta-feira, março 21, 2008
terça-feira, março 11, 2008
A Sala Magenta

A Beatriz Lamas de Oliveira, essa, que eu saiba, escreveu um só livro. Se alguém souber de outros, por favor, avise-me. Correrei Seca e Meca para os achar, mesmo correndo o risco, como a Raínha Victória quando mandou comprar a obra completa de Lewis Carroll, de me achar com um tratado de topologia nas mãos. Até lá, passo melancólico pela estante, pego n'O Insecto Imperfeito que já conheço quase de cor e penso que há desperdícios imperdoáveis. O desta escritora, por exemplo.
O terceiro dos autores portugueses cuja escrita tento acompanhar é o Mário de Carvalho. O primeiro livro que dele li, há já vários e tormentosos anos, foi A paixão do Conde de Fróis. Mesmo sendo radicalmente desconfiado de narrativas illo temporais, gostei da novela. O Mário de Carvalho conseguia não lhe dar um tom bafiento, erudito-gradioso. E havia, lá por trás, sempre presente, um sólido cepticismo, uma concepção sarcástica do heroísmo pátrio, do nacional politiquismo. Mas devo dizer que só prestei realmente atenção ao escritor a partir do Era bom que trocássemos ums ideias sobre o assunto. Erro meu. Em vez de ter lido logo Os Alferes, ainda ando à procura deles. Encontrei o Fabulário, os Casos do Beco das Sardinheiras, mas não os Quatrocentos mil sestércios.
Foi, no entanto, a Fantasia para dois coronéis e uma piscina, talvez o menos «sério» de todos os seus livros, a lembrar a magia de Casos, o que eu mais gostei. Nos Casos havia quem engolisse a Lua, uma torneira que se abria no Céu, confundia-se "o Manel Germano com o género humano".
Na Fantasia aparecem deuses pendurados nas árvores, seguimos atentamente as impressões trocadas entre um melro e um mocho, assistimos à destruição dos vestígios de uma vila romana e à odisseia marítima de uma Renault 4.
Tudo podia acontecer e acontece mesmo. Uma claque de desportivos quadrúpedes destrói uma estação de serviço na auto-estrada e o «mocinho» desta fantasiosa cavalgada, heróico escaquista (onde raio foi o Mário de Carvalho desencantar este sinónimo de jogador de xadrêz?) aproveita para se deixar seduzir pela bar-tender da cafetaria. O realismo fantástico, que não raro apanha o escritor numa núvem espessa de misticismo (como aconteceu com a Isabel Allende, com o Didier van Couwelaert e o próprio João Aguiar), é no Mário de Carvalho assumido como paródia e como paródia deve ser lido. Tudo é fogo de artifício: da política ao heróico patriotismo, das velhas gerações inúteis dos anos sessenta aos jovens Cláudios a cumprir pena por delitos vários, drogas diversas, orfandades múltiplas.
E, de súbito, um'A sala magenta.
«Magenta» é uma cor. Entre o vermelho e o azul, uma cor quente e uma fria, aí está o «fúcsia», a cor feminina por excelência. As deusas já não precisam de se pendurar nas árvores, na torre das igrejas: estão por todo o lado nas paredes magenta.
"Não sei se é uma história de amor, se é uma história de paixão", diz o autor a Rodrigues da Silva numa entrevista. "E de raiva e de ressentimento, também."
O romance também não nos esclarece. Pode ser que tenha uma continuação, como Os três mosqueteiros em Vinte anos depois.
Pouca sorte. Vamos ter de aguardar.
segunda-feira, março 10, 2008
Aviso:
sábado, março 01, 2008
Doze palavras não ditas e retornadas...

a terceira é a do Braço Dado.
Olha que são três.
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Xarope Peitoral de James, caramba!
Este blog chama-se Portugal, Caramba! por uma razão simples. Quem leu A ilustre casa de Ramires há-de lembrar-se da simpática figura do «Castanheiro Patriotinheiro» que, ainda estudante em Coímbra, "fundara um semanário, a Pátria - com o alevantado intento", diz Eça de Queiroz, "de despertar [...] em todo o País, do cabo Sileiro ao cabo de Santa Maria, o amor tão arrefecido das belezas, das grandezas e das glórias de Portugal!»Três números depois, como acontece com as revistas dos estudantes, a Pátria suspendia a circulação. Mas a vocação do Castanheiro, o seu pequeno degrau para o sucesso, não ficava esquecido.
«Sim, amiguinho! Organizar, com estrondo, o reclamo de Portugal, de modo que todos o conheçam - ao menos como se conhece o Xarope Peitoral de James, hem? E que todos o adoptem - ao menos como se adoptou o sabão do Congo, hem? [...] Como? Reatando a tradição, caramba!»

domingo, fevereiro 24, 2008
As doze palavras ditas e não retornadas do Portugal, caramba!
domingo, fevereiro 17, 2008
Mariazinha em Wiriyamu
terça-feira, fevereiro 12, 2008
O Cão que jogava xadrês XXI

Atenção: Obras
(1) Esta piada já foi usada demasiadas vezes, mas, de momento, não nos ocorreu mais nenhuma. As nossas desculpas.
sábado, fevereiro 09, 2008
Blogues que não nos saem da cabeça
A Gi, autora do Pequenos Nadas (que figura aqui à direita como Enormes Tudos) voltou a distinguir o Portugal, Caramba. Como agradecer-lhe? É uma questão a suscitar um estudo aprofundado. No entretanto, vamos ter de inventar também uma lista dedomingo, fevereiro 03, 2008
Joseph Ratzinger IV
Durante muitos anos não pensei em Deus.Havia os não-religiosos, de um dos lados. Eram marxistas ateus com o culto do jazz, maoistas-albaneses para quem mais de três palavras seguidas era metafísica.

segunda-feira, janeiro 21, 2008
Joseph Ratzinger III
Há coisas de que só demasiado tarde nos apercebemos e que, provavelmente, teriam feito a sua diferença.
Por exemplo, numa das suas conferências, pouco antes do Maio de 68 em França e da nossa crise académica em Coimbra, Joseph Ratzinger contou uma história, muito ao seu jeito de argumentar a partir de analogias.
Podíamos chamar-lhe a «Parábola do bom Palhaço» e começa num circo que irrompe em chamas. Podemos imaginar: as trapezistas semi-nuas, os cavalos enlouquecidos, o velho tigre às voltas na jaula e rugindo de inquietude, os cães amestrados a ganir de rabo entre as pernas...
O Palhaço é o único que já está vestido e é encarregado de chamar os bombeiros e lá vai ele, a correr, a face pintada, o chapéu às três pancadas... É claro que, naquele tempo, ainda não havia telemóveis e que o campo da Feira onde acampavam os circos todos não tinha nem uma cabine telefónica: reinava o mais absoluto dos primitivismos.
Quando eu era menino e ia ao circo, era ainda o tempo do Palhaço Rico, vestido de lantejoulas e com um barretinho cónico, e do Palhaço Pobre. O Palhaço Pobre era o que levava os enormes bofetões: vestia-se de trapalhão, calças demasiado largas com vistosos remendos, suspensórios por cima de uma camisola de riscas berrantes e uns enormes sapatorros em que tropeçava frenquentemente. Hospedava-se num hotel tão chique, tão chique que era conhecido pelo Hotel do Chiqueiro. E às refeições, para além das «azeitonas recheadas» - «com o caroço», entenda-se - comiam-se também «batatas salteadas»: era «batata sim, batata não. Batata sim, batata não.»
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Joseph Ratzinger II

quarta-feira, janeiro 16, 2008
terça-feira, janeiro 15, 2008
Joseph Ratzinger
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Trolling
Não sei a que mitologia pertencem os Trolhos. Nos livros do Tolkien, trolls são umas criaturas muito grandes, muito pouco inteligentes, que adoram andar à trolha. Assim uma espécie de forcados, como os do grupo saudoso de Salvação Barreto, que, reza a fama, andavam por cabarés e casas de fado a provocar os indígenas. Sempre de noite. O Cais do Sodré talvez ainda recorde as suas façanhas de copo e estaladão, acompanhados à viola e à guitarra como convém. As calçadas recordam-lhes os passos arrastados no fim da noite, a caminho dos últimos sopapos no Cacau da Ribeira. Recolhem aos primeiros alvores, dormem enquanto a noite não volta.Que fazer quando os vemos, com um riso gravado nos seus basálticos rostos, a perorar sobre a sua própria magnificência?
quarta-feira, janeiro 02, 2008
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Mais Avó Lígia
Vi a Avó Lígia ontem, quando estava a fazer horas para a minha camioneta. Era uma senhora muito, muito baixinha, muito redondinha, com uma feições muito bonitas que eu não fui capaz de reproduzir. As netas, duas, adoravam-na, era uma coisa que se via ao longe. Foi pelos seus gritinhos de júbilo que me pareceu perceber o nome da senhora. Pareceu-me, claro, o mais provável é que alguma coisa no crioulo me tenha induzido em erro. Não tem importância. O nome de Lígia assenta-lhe que nem uma luva; não me perguntem porquê. Tinha um sorriso de Avó Lígia para as netas e isso bastou-me.José Pacheco Pereira
Num antiquíssimo bloco Castelo (talvez de 1990) achei este desenho com um a piada já bastante desactualizada. Não me lembrava sequer de a ter feito, mas tenho de pedir desculpa ao Pacheco Pereira. Resistiu. Votou contra o seu próprio partido pelo menos uma vez, por causa de despenalização do aborto.











