quarta-feira, novembro 05, 2008
Insultos

sexta-feira, outubro 31, 2008
quarta-feira, outubro 29, 2008
domingo, outubro 26, 2008
Um cadáver requintado
sábado, outubro 25, 2008
Depoimentos escritos
Editorial Estampa, 1997
Sem data (provavelmente Out.-Nov. de 1961, de S. Domingos de Rana):
«Maruska bonita
Toma lá mais três "apontamentos". Creio que esta solidão me trouxe um apuramento de memória. As recordações começam a estar todas exactas e presentes. Vivo com fantasmas, não há dúvidas.
Tudo o que aí tens existiu.
Uma despedida amarga... Verão de 1960.
Dois momentos em Espanha... 1939. Dezasseis anos heróicos e estúpidos. O Henri do bigodão ainda deve existir e chama-se mesmo Henri. Estive com ele em Paris, em 1957 (que saudades do que eu, nessa altura, acreditava!). (...)
Querida menina do rostozinho eslavo, guarda isto contigo e um dia diz-me qualquer coisa. Espanha, três da tarde, cinco da tarde, de dias bem diferentes... Depois, Santa Apolónia... É para rir...
Vénia fantasmagórica do solene e irónico
...e sempre teu, claro
... «Tive aqui uma proposta divertida para resolver a minha situação de fora-da-lei. Um camarada uruguaio propôs-me o seguinte, depois de ter consultado gentes da terra dele: eu iria ao Uruguai e lá, em 15 dias, camaradas fixes arranjavam-me documentos de cidadão uruguaio. Ri-me francamente com a história. Achas-me com cara de "......... del Uruguay"? Se eu tivesse querido, já tinha tido duas oportunidades de mudar de nacionalidade: ou cidadão francês, ou soviético, que qualquer das duas seriam muito mais interessantes para mim do que ser um idiota uruguaio. Não, Isabelinha, nós nascemos naquela saudosa merda e a ela temos que pertencer até ao fim. Lá vivem os nossos operários, os nossos camponeses, por esses temos que lutar até que eles possam sorrir e ser homens livres e autênticos.»...
... «Quanto ao meu livro (*), já está em primeiras provas. Talvez esteja na rua lá para meados de Dezembro. Achei que tinha historietas demais e tirei um monte delas, não gosto de chatear demais os leitores.
Sabes que o Gaspar Simões botou elogio grosso aos CONTOS DO GIN-TÓNICO na página literária do "Diário de Notícias"? Pois foi: Só tenho coisas que me ralem; só me faltava o Gaspar Simões a dizer bem de mim. Ele há cada coisa!»
segunda-feira, outubro 20, 2008
O Mundo inquietante de um anarco-surrealista

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Le Capitaine Jonathan,
Étant âgé de dix-huit ans
Capture un jour un pélican
Dans une île d'Extrême-orient.
Le pélican de Jonathan
Au matin, pond un œuf tout blanc
Et il en sort un pélican
Lui ressemblant étonnamment.
Et ce deuxième pélican
Pond, à son tour, un œuf tout blanc
D'où sort, inévitablement
Un autre, qui en fait autant.
Cela peut durer pendant très longtemps
Si l'on ne fait pas d'omelette avant.
terça-feira, outubro 14, 2008
Um raio de luz na cornija da lareira
Pois!Há dias em que é melhor nem falar.
Corre tudo mal.
A bem dizer, correr, o que se chama correr, nem corre. Empastela-se. Espalha-se ao comprido e, depois, arrasta-se cheia de mazelas, a coxear.
E há outros em que só as visitas nos salvam.
Como esta que sabe Deus onde mora, mas veio até cá, passou a tarde na cornija da lareira e depois foi-se embora.
Pode ser que um dia volte.
quarta-feira, outubro 08, 2008
Coisas que é melhor não dizer

E até, quando ele classificou não sei-o-quê como um filme «de culto», eu deixei passar.
Mas, quando disse, pela segunda vez, que fulano era «um ícone da nossa cultura», eu, pura e simplesmente, não aguentei: liguei o sinal de alerta disfarçado no braço da cadeira D. José.
O Tião Medonho surdiu de trás do reposteiro com a Remington 24E long e pás!
Três tão exactas como de costume: a primeira, uma mão travessa abaixo da clavícula direita; outra centrada, a perfurar o esterno. E a última, à esquerda do umbigo, numa tripa qualquer.
A Voilá zangou-se por causa do copo de vinho entornado na toalha de renda.
Mas há coisas, realmente, que já não se podem ouvir.
Telefonei ao Mário-Henrique a agradecer.
Os amigos são uma coisa preciosa, é o que diz sempre a Avó.

terça-feira, outubro 07, 2008
A Metafísica é uma arma ...
segunda-feira, outubro 06, 2008
sexta-feira, outubro 03, 2008
Lido por aí
quinta-feira, outubro 02, 2008
Marketing agressivo ou falta de chá?

sexta-feira, setembro 26, 2008
quarta-feira, setembro 24, 2008
«Injecções extraordinárias de liquidez»

Se ainda não perceberam o que aconteceu àquele pastel todo que eles, segundo fontes bem informadas, andaram a ganhar nas bolsas, o Portugal, Caramba! pode adiantar que a culpa se afigura como sendo do colisionador de hadrões que recentemente foi inaugurado na Suiça.
Estamos recordados de que, de acordo com os cientistas do CERN, o destapar de um buraco negro era uma possibilidade negligenciável. Não terá sido assim.
Segundo alguns financeiros, a entrada em funcionamento do gigantesco acelerador abriu uma singularidade no mercado de capitais, a qual se terá alegadamente constituido num autêntico sorvedouro de liquidez.
Tanto a Reserva Federal como o Banco Central Europeu estariam a estudar a constituição de uma comissão conjunta de inquérito para determinar o fundamento destas alegações e levar diante da justiça os eventuais culpados.
«Os cientistas que paguem a crise», declarou uma fonte próxima da do Colégio de Reguladores da Euronext que pediu o anonimato.
Fontes contactadas pelo Portugal, Caramba!, no entanto, consideraram que estas acusações podem ter resultado apenas da confusão entre o "acelerador de hadrões" que pertence, de facto, ao CERN, e os vários "aceleradores de ladrões" que se têm vindo a constituir à sombra dos grandes bancos de investimento.
sábado, setembro 20, 2008
terça-feira, setembro 16, 2008
quinta-feira, setembro 11, 2008
Francisco Moita Flores

terça-feira, setembro 09, 2008
Nova ética

terça-feira, setembro 02, 2008
segunda-feira, setembro 01, 2008
Porque é que não aprendes?
quinta-feira, agosto 28, 2008
terça-feira, agosto 26, 2008
Mails de férias
(Resposta a um convite para ir almoçar a Lisboa e percorrer depois, em passo descansado e facunda conversa, a Feira das Velharias de Belém)Amanhã é que a minha ida (com o perdão pela palavra má:) é bué da provável. Eu explico. Hoje de manhã apanhei um susto terrível.
O caso não foi para menos.
Os meus cães que dormem nos tapetes do meu quarto, um de cada lado da cama, devem ter ouvido ruídos de automóveis, vozes, gente a passar. Como sabes, moro num sítio isolado e esses gentis animais nossos amigos consideram que que se passa a menos de um quilómetro do portão é uma clara invasão do seu território. E vá de fazer um escândalo tal que me acordou espavorido.
Na altura, nem me lembrei do poema:
Mas, enfim, tudo isto para dizer que, completamente estremunhado, talvez mesmo em estado agudo de sonambulismo, lá fui tropeçando abrir a porta do quintal. Os cães saíram em grande grita e atropelo, espero que tenham dado alarme às três rolas que sobraram do ano passado e que elas tenham dito umas para as outras:
«Fosga-se! Porque é que estes gajos não se agarram uns aos outros em vez de nos virem fornicar a nós?»
E foi quando, sem querer, encarei com a minha própria imagem, a olhar-me do lado de lá do espelho, olhar vítreo, as pálpebras a meia haste como se estivessem a cumprir um luto nacional qualquer.
Em alturas destas não admira que nos ocorram as mais pitecantrópicas reflexões.
Para além das metafísicas, do tipo «então isto é que é a imagem e semelhança de Nosso Senhor?» e «é pá, além de velho, estás ficar feio como o caraças», surgiram outros pensamentos mais comezinhos (mas igualmente vãos) do tipo «amanhã vais a Lisboa e cortas essa trunfa toda a ver se ficas com melhor cara, òvistes?»
E pronto: as mais graves e solenes decisões da história da humanidade – por exemplo, quando o Hitler disse a si mesmo, «pá, bora invadir a Polónia!» – são tomadas com a mesma ponderação com que eu declarei: «Amanhã vais a Lisboa, cortas o cabelo e almoças com o Sérgio! Tá decidido!»
Receio que, ao receberes este mail, estranhes a linguagem em que vai escrito, desbragada e tão contra os meus cavalheirescos costumes. Mas tem uma explicação que talvez ajude a desculpá-la. É que todos estes graves acontecimentos ocorreram às seis da manhã. Imaginas? Quase de véspera!
Um abraço.
Tacci
quarta-feira, agosto 20, 2008
sábado, agosto 16, 2008
Alô, experiência, 1, 2, 3: Rita Braga
Nós, aqui no Portugal, Caramba! até diríamos que não, embora, claro, admitamos que possa vir a ser.
O que nos interessa, francamente, é a personalidade: tem um percurso que vale a pena espreitar e tem um sorriso bonito. Não nos parece que seja sócia do vastíssimo clube dos Luso-depressivos. Diverte-se enquanto canta. E sorri.
Aleluia.
quarta-feira, agosto 13, 2008
segunda-feira, agosto 11, 2008
sexta-feira, agosto 08, 2008
segunda-feira, agosto 04, 2008
sábado, agosto 02, 2008
Million dollar baby
A pancadaria de Colmenarejo mostra que há uma agressividade feminina tão violenta e cruel como a masculina?
sábado, julho 19, 2008
Guerrilheiro Sentimental

Digamos desde já: este post vem a propósito da publicação de um livro, Guerrilheiro Sentimental, de Eurico Figueiredo.
quinta-feira, julho 17, 2008
Nunca o invejoso medrou
Faz-se noite de aquecer
segunda-feira, julho 14, 2008
... do que cabeça de Sardina pilchardus Clupeidae.
2. Já não há exploradores e explorados? sexta-feira, julho 11, 2008
Mais vale cauda de merluccius...
c) Do que queremos falar, verdadeiramente, é daquilo que muita gente se pergunta neste momento: dantes tínhamos um país reprimido, atrasado e em guerra. Agora somos, supostamente ao menos, uma democracia. E, olhando em redor, perguntamo-nos: como é que chegámos aqui?É claro que este "aqui", se desdobra: há um «aqui» mero estado de espírito, feito de descrença e desilusão. Acreditávamos, estávamos, como dizem os nossos irmãos, "muy ilusionados". Ou seja: tínhamos espectativas e julgávamos que eram realizáveis. Falamos por nós, e damos como testemunhas os programas dos partidos políticos de então, a constituição que deles resultou.
Queríamos superar o nosso analfabetismo, a nossa incultura. Queríamos acabar com a miséria. Queríamos que nenhum português mais se visse forçado a procurar "lá fora" as coisas que "cá dentro" não alcançava e a que queria ter direito. Coisas tão simples como uma casa que não fosse só um telheiro, de chão em terra batida; que tivesse tecto e uma casa de banho, electricidade, água canalizada, esgotos... Coisas tão simples como dinheiro para chamar o médico e aviar a receita na farmácia... Escolas para onde mandar os putos, a ver se tinham uma vida melhor do que a nossa.
Queríamos aquelas coisas que começávamos a ver na televisão: um carro e um fato, sofás para ver o futebol com os amigos enquanto bebíamos umas cervejas.

quinta-feira, julho 10, 2008
sábado, julho 05, 2008
Reticências

1 Março 2008
Não sei bem porquê
Gosto de escrever em forma de sapato
Começando na curva arredondada do pé
Até chegar às pontas dos dedos num desvelo timorato...
Ana Maria Puga, Reticências... Papiro Editora, 2008

Interpretado com a caneta e o pincel, o poema podia resultar mais ou menos assim. Mas a Ana Maria nunca nos havia de perdoar...
quarta-feira, julho 02, 2008
Filinto Elísio, da velha França...
quarta-feira, junho 25, 2008
Nim

A Nim está a fazer-se uma bonita cachopinha. Passou para a Escola lá de cima para o quinto ano, parece que é boa aluna a matemática, mas, diz a Clara Centeno, que é professora de inglês, não se lhe arranca uma palavra. Já não pára na papelaria: as irmãs não a querem por lá.
terça-feira, junho 24, 2008
Aleivosia
O Portugal, Caramba! tem estado um tanto parado devido a uns pequenos problemas com um certo animalejo... A gente não alumia o nome ao bicho porque a nossa mãezinha ensinou que essas coisas não se dizem (sobretudo à mesa, mas vá lá) porque é feio. E pronto.quarta-feira, junho 18, 2008
segunda-feira, junho 09, 2008
Un sou dans ma poche, e um caderno debaixo do braço.



Nesta página, aqui em cima, porém, o desenho do que estava na mesa do pequeno-almoço, não tinha nada a ver com coisa nenhuma. Serviu só para desenjoar. Ou, talvez, já não recordo, para interromper a leitura e conversar com os outros convivas. É meritório, não é?





























