
segunda-feira, julho 19, 2010
segunda-feira, julho 12, 2010
Pata de Coelho
Uma das tradições na minha família, daquelas de que só se fala com um sorriso, é a da pata de coelho: quem anda à procura de casa, quem quer fechar um negócio que tenha a ver com um futuro lar, vai à procura da patinha do coelho, mete-a no bolso, ou na pasta e só a arruma de novo quando o negócio estiver concluído.Alguém da nossa família, não se alumia os nomes aos santos, anda metido em tranzes desses e, portanto, muito carecido de um amuleto apropriado.
quarta-feira, julho 07, 2010
Vai-te a eles, pá!
Citroën ASK400, lembram-se? Dá para comprar o quê?
Se calhar não chegava.
Talvez desse para comprar um 2CV.
Que se lixem todos, mais os prémios, mais os subsídios, mais as bolsas, terá ele dito. Dêem-nos aos vossos boys, está bem?
Grande Nosolino!
sexta-feira, julho 02, 2010
A volta do Concha Y Toro

"Sabe, no fundo
eu sou um sentimental .
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo (além da síflis, é claro)
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar,
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora."
Fado Tropical, Chico Buarque, Rui Guerra
-Mas se o Pinochas era um reles ditador, era também o símbolo de todas as reles ditaduras sul-americanas.
sábado, junho 19, 2010
Non omnis moriar
quinta-feira, junho 17, 2010
Sugestões úteis
- Estou a ver que a doutora tirou o curso em horário pós laboral!
- Conhece aquele poema do Rilke:
domingo, junho 13, 2010
quarta-feira, junho 09, 2010
terça-feira, junho 08, 2010
sexta-feira, junho 04, 2010
João Aguiar

sábado, maio 29, 2010
Mentiram-nos este tempo todo?

Devíamos à Providência a Graça de sermos pobres, lembram-se? Morávamos ainda em casas de telha vã, chão de terra batida, andávamos quilómetros a pé, no Inverno, com as solas rotas, para chegar à escola: fazíamos a terceira classe e íamos trabalhar.
Desde tempos remotos, os ratinhos e os malteses tinham vindo em ranchos fazer as colheitas e as vindimas, varejar a azeitona ou pescar noutras águas muito para longe das suas terras. Não ganhavam muito, o que amealhavam mal dava para um vestido para a cachopa, um lenço para a velhota, para a onça do tabaco, para o copo de três a festejar o regresso. Outros conseguiam vender uma fazenda ou tinham um parente que os chamava, iam para o Brasil, para a Venezuela.
Tínhamos escapado da II Guerra Mundial, não escapámos aos movimentos de libertação das colónias. Vimos partir o simbólico forte de São João Baptista, depois o Estado da Índia.
A guerra rebentou em três frentes.
Lisboa já o era.
Bairros inteiros viram demolidas as suas moradias, os prédios mais baixinhos. Em seu lugar surgiam caixotes de linhas mais ou menos direitas, grandes varandas que logo eram fechadas em marquises. As aldeias periféricas, a Amadora, Queluz, o Cacém, Loures, Sacavém e por aí fora, sucumbiram ao cimento armado, ao betão.
A 25 de Novembro de 1967 abateu-se sobre Lisboa uma tempestade. Choveu nessas obras recentes e umas quinhentas pessoas - estimativas oficiais - morreram afogadas, desmoronadas, soterradas.
A polícia modernizou-se para conter as manifestações dos estudantes, dos operários.
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A 25 de Abril, na sequência de um pronunciamento militar, a população de Lisboa insurgiu-se e, de todos os lados, surgiram as adesões.
Julgava-se, talvez com razão, que a propriedade estava mal distribuída, mal utilizada. Que os monopólios concedidos pelo Estado Novo entravavam o desenvolvimento. Que a especulação imobiliária privava de casa milhares de jovens casais.
Em suma, acreditámos que "o pão que sobrava à riqueza, distribuído pela razão, mataria a fome à pobreza e ainda havia de sobrar pão". Era simples, o programa que quisemos ver realizado e era fácil de o gritar em coro: "a paz, o pão, saúde, educação."
Não éramos jeepes?
terça-feira, maio 25, 2010
segunda-feira, maio 17, 2010
domingo, maio 16, 2010
Tema para a meditação de hoje
quinta-feira, maio 13, 2010
Subsídios para o Livro de Aka XXIII
Aka apanhou o pombo caído, quente, magro também ele, julgou sentir um último estremecimento.
sexta-feira, maio 07, 2010
quarta-feira, maio 05, 2010
Tema para a meditação de hoje
terça-feira, maio 04, 2010
quarta-feira, abril 28, 2010
Uma história (sem pés nem cabeça) em que se fala de cabaias e mandarins e do Prémio Pessoa.
Vestem bem, boas roupas, muito clássicas, geralmente, de bom gosto, gravatas dignas de um Beau Brummell.
Frequentam, ia jurar, ginásios com personal trainers e tudo, massagistas privadas de vez em quando. Costumam ser pessoas amáveis, sobretudo nos contactos sociais, porque dos outros, que sei eu?
Para meu gosto, no entanto, têm um defeito: são demasiado direitos.
Eu explico:
Quando os vemos ali parados, em evidência, no meio das salas, com copo na mão, não podemos deixar de reparar nos ombros recuados, nas costas esticadas, a cabeça levantada.
Obviamente, ou não são assim tão velhos, ou envelheceram francamente bem.
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Mas pronto: a que propósito vem isto tudo?
É que ontem ou talvez já anteontem, pronto, na terça-feira, dia 27, o Doutor (e Dom) Manuel Clemente, Bispo do Porto, esteve na Culturgest a receber o Prémio Pessoa.
Talvez não fosse único dos presentes a não fazer gala num porte desportivo, a não trazer as unhas manicuradas, a vestir o que veste todos os dias.
Mas era o que estava mais em evidência.
Subiu ao palco para receber o que lhe queriam dar e depois para nos dizer que o Padre António Vieira "é o caso acabado de como em Portugal [...] sempre nos desperdiçámos quando não consideramos o que cada um é e pode oferecer aos outros, do presente para o futuro."
E nós, eu pelo menos, ficámos a pensar: mas o que é que esta gente toda, eu incluído, tem para dar? E a que futuro?
Olhando em volta, não se via muito bem; estava ali a nata das natas, o futuro, nem por isso.
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Conta-se que, há muito tempo, num cantão longínquo chamado Ba-pei ou coisa assim, o velho e sábio mandarim morreu.














