sexta-feira, julho 30, 2010
Adieu l'Antoine, je t'aimais bien, tu sais...
domingo, julho 25, 2010
Subsídios para o livro de Aka XXIV
Jaqui era o nome que lhe dava a doutora Wali,
a mãe velha que montara o pequenino hospital de mulheres onde a Aia a levara muitas vezes em criança.
"Não, Jaqui", dissera a médica: "Não és tu quem tem as alergias.
O mundo é que é alérgico a ti e não quer deixar-se tratar.
Vem ver-me só quando te apetecer uma coca-cola, combinado?"
Jaqui foi muitas vezes beber uma coca-cola com a doutora Wali
até que ela desapareceu,
levada por um projecto mais urgente,
uma dor do mundo mais aguda,
uma fractura,
uma ferida mais infectada.
Aka ficou a olhar as duas mulheres que se abraçavam,
a Jaqui era uma mulher alta, de meia idade,
a amiga era preta e muito bonita,
muito diferentes de Aka ou da doutora Wali,
mas, por um momento, sem se darem conta disso, espalharam uma pequenina onda de bem-estar por toda a rua.
O mundo, que é alérgico à felicidade, trouxe logo uma ambulância,
apertou-a no trânsito, deixou-a muito tempo a gritar a sua urgência.
Aka entrou na loja dos animais para comprar um peixinho encarnado.
segunda-feira, julho 19, 2010
segunda-feira, julho 12, 2010
Pata de Coelho
Uma das tradições na minha família, daquelas de que só se fala com um sorriso, é a da pata de coelho: quem anda à procura de casa, quem quer fechar um negócio que tenha a ver com um futuro lar, vai à procura da patinha do coelho, mete-a no bolso, ou na pasta e só a arruma de novo quando o negócio estiver concluído.Alguém da nossa família, não se alumia os nomes aos santos, anda metido em tranzes desses e, portanto, muito carecido de um amuleto apropriado.
quarta-feira, julho 07, 2010
Vai-te a eles, pá!
Citroën ASK400, lembram-se? Dá para comprar o quê?
Se calhar não chegava.
Talvez desse para comprar um 2CV.
Que se lixem todos, mais os prémios, mais os subsídios, mais as bolsas, terá ele dito. Dêem-nos aos vossos boys, está bem?
Grande Nosolino!
sexta-feira, julho 02, 2010
A volta do Concha Y Toro

"Sabe, no fundo
eu sou um sentimental .
Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dose de lirismo (além da síflis, é claro)
Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar,
Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora."
Fado Tropical, Chico Buarque, Rui Guerra
-Mas se o Pinochas era um reles ditador, era também o símbolo de todas as reles ditaduras sul-americanas.
sábado, junho 19, 2010
Non omnis moriar
quinta-feira, junho 17, 2010
Sugestões úteis
- Estou a ver que a doutora tirou o curso em horário pós laboral!
- Conhece aquele poema do Rilke:
domingo, junho 13, 2010
quarta-feira, junho 09, 2010
terça-feira, junho 08, 2010
sexta-feira, junho 04, 2010
João Aguiar

sábado, maio 29, 2010
Mentiram-nos este tempo todo?

Devíamos à Providência a Graça de sermos pobres, lembram-se? Morávamos ainda em casas de telha vã, chão de terra batida, andávamos quilómetros a pé, no Inverno, com as solas rotas, para chegar à escola: fazíamos a terceira classe e íamos trabalhar.
Desde tempos remotos, os ratinhos e os malteses tinham vindo em ranchos fazer as colheitas e as vindimas, varejar a azeitona ou pescar noutras águas muito para longe das suas terras. Não ganhavam muito, o que amealhavam mal dava para um vestido para a cachopa, um lenço para a velhota, para a onça do tabaco, para o copo de três a festejar o regresso. Outros conseguiam vender uma fazenda ou tinham um parente que os chamava, iam para o Brasil, para a Venezuela.
Tínhamos escapado da II Guerra Mundial, não escapámos aos movimentos de libertação das colónias. Vimos partir o simbólico forte de São João Baptista, depois o Estado da Índia.
A guerra rebentou em três frentes.
Lisboa já o era.
Bairros inteiros viram demolidas as suas moradias, os prédios mais baixinhos. Em seu lugar surgiam caixotes de linhas mais ou menos direitas, grandes varandas que logo eram fechadas em marquises. As aldeias periféricas, a Amadora, Queluz, o Cacém, Loures, Sacavém e por aí fora, sucumbiram ao cimento armado, ao betão.
A 25 de Novembro de 1967 abateu-se sobre Lisboa uma tempestade. Choveu nessas obras recentes e umas quinhentas pessoas - estimativas oficiais - morreram afogadas, desmoronadas, soterradas.
A polícia modernizou-se para conter as manifestações dos estudantes, dos operários.
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A 25 de Abril, na sequência de um pronunciamento militar, a população de Lisboa insurgiu-se e, de todos os lados, surgiram as adesões.
Julgava-se, talvez com razão, que a propriedade estava mal distribuída, mal utilizada. Que os monopólios concedidos pelo Estado Novo entravavam o desenvolvimento. Que a especulação imobiliária privava de casa milhares de jovens casais.
Em suma, acreditámos que "o pão que sobrava à riqueza, distribuído pela razão, mataria a fome à pobreza e ainda havia de sobrar pão". Era simples, o programa que quisemos ver realizado e era fácil de o gritar em coro: "a paz, o pão, saúde, educação."
Não éramos jeepes?
terça-feira, maio 25, 2010
segunda-feira, maio 17, 2010
domingo, maio 16, 2010
Tema para a meditação de hoje
quinta-feira, maio 13, 2010
Subsídios para o Livro de Aka XXIII
Aka apanhou o pombo caído, quente, magro também ele, julgou sentir um último estremecimento.
sexta-feira, maio 07, 2010
quarta-feira, maio 05, 2010
Tema para a meditação de hoje
terça-feira, maio 04, 2010
quarta-feira, abril 28, 2010
Uma história (sem pés nem cabeça) em que se fala de cabaias e mandarins e do Prémio Pessoa.
Vestem bem, boas roupas, muito clássicas, geralmente, de bom gosto, gravatas dignas de um Beau Brummell.
Frequentam, ia jurar, ginásios com personal trainers e tudo, massagistas privadas de vez em quando. Costumam ser pessoas amáveis, sobretudo nos contactos sociais, porque dos outros, que sei eu?
Para meu gosto, no entanto, têm um defeito: são demasiado direitos.
Eu explico:
Quando os vemos ali parados, em evidência, no meio das salas, com copo na mão, não podemos deixar de reparar nos ombros recuados, nas costas esticadas, a cabeça levantada.
Obviamente, ou não são assim tão velhos, ou envelheceram francamente bem.
-
Mas pronto: a que propósito vem isto tudo?
É que ontem ou talvez já anteontem, pronto, na terça-feira, dia 27, o Doutor (e Dom) Manuel Clemente, Bispo do Porto, esteve na Culturgest a receber o Prémio Pessoa.
Talvez não fosse único dos presentes a não fazer gala num porte desportivo, a não trazer as unhas manicuradas, a vestir o que veste todos os dias.
Mas era o que estava mais em evidência.
Subiu ao palco para receber o que lhe queriam dar e depois para nos dizer que o Padre António Vieira "é o caso acabado de como em Portugal [...] sempre nos desperdiçámos quando não consideramos o que cada um é e pode oferecer aos outros, do presente para o futuro."
E nós, eu pelo menos, ficámos a pensar: mas o que é que esta gente toda, eu incluído, tem para dar? E a que futuro?
Olhando em volta, não se via muito bem; estava ali a nata das natas, o futuro, nem por isso.
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Conta-se que, há muito tempo, num cantão longínquo chamado Ba-pei ou coisa assim, o velho e sábio mandarim morreu.
terça-feira, abril 27, 2010
Tema para a meditação de hoje: Ricardo Sá Fernandes
Nem que mais não seja,
para que um dia possamos olhar-nos no espelho e dizer,
com uma pontinha de vaidade:
nós estivemos lá.
segunda-feira, abril 26, 2010
domingo, abril 18, 2010
quarta-feira, abril 07, 2010
Tema para a meditação de hoje
sábado, abril 03, 2010
sexta-feira, abril 02, 2010
Tema para a meditação de hoje

Dzhennet, de cultura muçulmana, escolheu ser bombista suicida.
O poder é assim mesmo: as forças armadas americanas, inglesas, russas, que sei eu, julgaram-se no direito de atacar, brutalizar, gritar, impôr.
Ninguém foi muito feliz e tiveram muitos filhos que foram devorados pela aviação inimiga.
segunda-feira, março 29, 2010
«Basta-me viver»?

Momento óptimo para uma fúria consumista e zás!
Carlos Vale Ferraz não pertencia a este grupo. Lido o Nó Cego, não me precipitei à procura de outras obras. Erro meu, quem sabe?
Seria publicidade negativa? Se era, funcionou, porque eu trouxe o livro.
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sexta-feira, março 26, 2010
sexta-feira, março 19, 2010
Qual Celecanto?
Foi ontem e havia mesmo uma baleia no Museu de História Natural, suspensa no ar, como quem nada displicentemente, a olhar por nós. quinta-feira, março 18, 2010
quarta-feira, março 10, 2010
Celacanto nº. 2
Vale bem a pena dar um saltinho à rua da Escola Politécnica 58, em Lisboa (1), passear uns minutos pelo Jardim Botânico e, às 18 horas dirigir-se ao Museu de História Natural. Só falta encontrar a dita baleia. Não nos parece que seja muito difícil.segunda-feira, março 08, 2010
Na Ilha de Jackson, porque não?

And if We see You standing alone by yourself,
if you're lucky we'll ignore you.
If you're not lucky, we might throw rocks.
Because we don't like people standing there
with the wrong patches on their jeans...
Tenho-me lembrado muito do Tom Sawyer.
O herói dos nossos dias começa por ser o guerreiro invencível, mas transforma-se muito facilmente num atirador suicida. A escola é, regra geral, o alvo preferido. É lá que a discriminação se decide, que a criança percebe a que estrato social está destinado, é lá que as injustiças do nascimento e da fortuna nos agridem pela primeira e mais violenta vez. O Leandro poderia ter arrombado o armário onde o pai tem a caçadeira, roubado um saco de cartuchos e vingar-se das violências sofridas; mas era bom menino, optou de maneira diferente, voltou contra si próprio a violência que sentia.
quinta-feira, março 04, 2010
Ir à escola mata!
Tinha doze anos, mais mês menos mês e foi vítima de um fenómeno que agora se descobriu. Até já tem nome em inglês, é uma coisa séria, subiu à categoria dos maremotos que são tsunamis e tremores de terra. Chama-se bullying.Também se aplica, em Eton, ao que parece, àquelas molhadas que se formam no rugby a que se chama também a mêlée e em que o desgraçado que sai lá de baixo, ou tem o caparro de um lutador de wrestling ou sai feito num oito.
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O bully, portanto, é um atormentador. Mais: regra geral não age sozinho. Exibe-se para o seu grupo e, em caso de resistência do atormentado, não hesita em socorrer-se da ajuda dos outros todos. A mêlée, nem que mais não seja pelo número, raramente perde.
Se a memória me não falha, está aqui tudo o que falta para fazer delinquentes juvenis.
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Claro, se assaltarem uma loja, se roubarem carros, chama-se a polícia, exigem-se medidas: atentou contra o património. É grave.
O cidadão comum indigna-se, exclama que «só neste país!», pergunta o que faz a polícia.
Os ministros anunciarão reforços às forças da ordem, o policiamento de proximidade, o bacalhau a pataco e que a semana vai ter nove dias.
Um ou outro desses jovens delinquentes será detido com grande estardalhaço e confiado mais ou menos em segredo á guarda dos mesmos tutores que não souberam socializá-lo.
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Se o mesmo jovem se dedicar a tiranizar os mais novos, os mais pequenos, se lhes roubar o lanche, as canetas, os trocos, se com grande valentia distribuir porrada, se rasgar os livros de estudo, se insultar e bater, tudo bem, ninguém sabe, toda a gente estava a olhar para outro lado.
Os mais pequenos sofrem, mas não dizem nada, porque é o medo que guarda a vinha. Os pais não sabem porque os filhos não falam. Os professores não têm meios e os conselhos directivos garantem que na escola não foi.
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Mas foi.
Não interessa se foi para lá do virar das esquinas, longe da vista e longe do coração, que a agressão se concretizou: foi na escola que se estabeleceram os domínios, se designaram as vítimas, se iniciaram as perseguições: primeiro com os risinhos, o desdém, logo o insulto, o empurrão, o pequeno roubo "a brincar", o estojo dos lápis atirado para longe, a mochila escondida.
Se as coisas forem mais longe, mais longe serão: fora da escola, longe das testemunhas.
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Mas, como é um fenómeno, pronto, então está tudo bem. É como os ritos de iniciação, um homem não é homem se não partir sete vezes a cabeça, se não pegar um garraio de caras, se não for à tropa.
Os jornais escrevem em grandes títulos que um "estudo académico conclui que 13,5% dos estudantes do secundário são alvo de agressões sistemáticas". 13,5 é um número significativo: é como dizer-se que uma fatia importante dos adolescentes perdem a virgindade antes dos quinze anos, ou que a incidência das borbulhas faz parte do crescimento. O Dito bullying também.
Até há estudos académicos. A honra está salva.
Os reitores das universidades, quando recebem estes jovens delinquentes, já podem aceitar a existência de rituais de iniciação, de praxes violentas, do que for.
Se alguém faz perguntas, todos negam:
Que está garantido o direito a declarar-se contra a praxe, dizem.
Que sempre foi assim e que não tem havido queixas.
Não, não tem havido queixas.
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Uma vez por outra morre um Leandro Filipe.
- Não pode ser! - gritam-nos logo. - As nossas instituições são perfeitas. Foi um azar! A culpa foi dele de certeza.
Talvez, talvez tenha sido. E minha, também.
domingo, fevereiro 28, 2010
sexta-feira, fevereiro 26, 2010
Tema para a meditação de hoje
segunda-feira, fevereiro 22, 2010
Maria de Lurdes Pintasilgo

sábado, fevereiro 20, 2010
Desempanadora Ruço, Ldª.
Já toda a gente ouviu falar na depressão de Inverno: o frio, os dias cinzentos ou, pior, chuvosos, tudo isso contribui para uma quietude melancólica, para uma vaga tristeza que bloqueia criatividades e sentido crítico. terça-feira, fevereiro 16, 2010
sexta-feira, fevereiro 05, 2010
quarta-feira, fevereiro 03, 2010
sexta-feira, janeiro 29, 2010
Sem título
terça-feira, janeiro 26, 2010
Dados empíricos
quarta-feira, janeiro 20, 2010
Obediênciazinha, pois então! (II)

Acordamos.
quinta-feira, janeiro 14, 2010
Havai 2010, digo, Haiti 2010
- Se querem saber, parecia Deus a bater-nos com a porta na cara...-
domingo, janeiro 10, 2010
Diários Gráficos, desenhos vários e por aí fora
sábado, janeiro 09, 2010
Vida de Urso
Eu sei que há quem não acredite na metempsicose que é aquela coisa da transmigração das almas: morre-se e acabou-se. Nada de voltar a este ou outro mundo qualquer. Por isso ficaram sabendo: o que nós queremos mesmo é ser ursos.
quinta-feira, dezembro 31, 2009
Obediênciazinha, pois então! (I)

terça-feira, dezembro 22, 2009
Jingle bels, jingle bels, ta-ta-ri-tatá,,,

































