sexta-feira, agosto 08, 2014

Que fazem os bancos?

Ainda alguém me há-de explicar o que raio faz um banco.
Não estou a perguntar nem quem é que os faz, nem o que acontece aos seus balcões. Vai-se lá, assinam-se uns papéis, usam-se os cartões de crédito ou de débito e por aí fora. Lá que têm alguma utilidade, parece-me óbvio. Eles, por seu lado agarram nos nossos ordenados, numas poupanças ou outras e investem tudo isso
Mas produzem o quê? O que é que eles fazem realmente?
Reparem:
Desde miúdo que me habituei a ver o Sr. António da Ponte, carpinteiro de moínhos de profissão, pregar pregos, aplainar, serrar, brocar. Via-se as coisas que saíam das mãos dele. Uma forquilha para virar a palha dos cereais, um alqueire, uma roda de carroça reparada...
Também o Victor era carpinteiro ou marceneiro, talvez. Nunca soube o apelido que usava, mas era catequista e foi o meu padrinho de crisma. Trabalhava na serração do Pio e fez-nos, ao Zezé Abrantes, ao meu irmão e mim uma belas espadas de pau.
Ainda conservo a minha, quase, quase intacta.
Outros cavavam as vinhas, podavam, faziam as vindimas. As adegas eram uma roda viva, baldes de uva a caminho dos tonéis, mosto a fermentar, os carros de bois para trás e para diante.
E havia os tanoeiros, os ferradores, o António da Loja e o João da Carolina que tinha uma fabriquinha minúscula onde se fazia pirolitos e laranjadas...
Foi mais ou menos assim, entre a aldeia das férias e a vila dos tempos da escola, que o meu mundo começou.
Não tenho bem a noção de quando me apercebi de que A ilha de coral, O cavalo preto, e os Dois anos de férias, além dos tipógrafos da Tipografia União, por exemplo, que os imprimiam, e do Sr . Aspra onde os íamos comprar, tinham de ter um autor (1).
Quer dizer, tinha de haver alguém que, sem «fazer» os livros propriamente ditos, os fazia, não era só a Balada da Neve e Os passarinhos tão engraçados que tinham de ter sido escritos. As poesias não eram excepção.
Acho que foi um salto qualitativo nessa coisa de entender o mundo onde eu vivia.
Havia pessoas que trabalhavam, escreviam histórias fascinantes, mas depois não eram elas que faziam os livros.
Eu via que maior parte das pessoas que trabalhavam faziam «coisas»: a nossa Mãe fazia o comer, a Avó levantava-se tarde - era um nadinha preguiçosa, há que dizê-lo - mas tinha as suas tarefas: dava corda aos relógios, de comer ao gato e às galinhas, apanhava salsa e uma ou outra flor para enfeitar as jarras e depois sentava-se a tricotar camisolas ou a fazer crochet.
Os livros era diferente.
E depois comecei a reparar que as aulas e ser professor também.
Havia «coisas» que tinham de ser feitas, mas que eram como que invisíveis: podia-se ler um livro, mas as letras tinham sido lá postas pelo tipógrafo; podia-se dar uma aula, mas se nenhum de nós aprendesse coisa nenhuma, que «coisa» é que ficava «feita»?
Confesso que é uma questão que ainda me deixa algo confuso, sobretudo agora, com esta história do Banco Espírito Santo,  pela enésima vez: 
Que «coisa», mesmo invisível, é que os bancos «fazem»?
Alguém me sabe dizer?
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(1) Claro que eu sabia que o Sr. Janeiro Acabado, que tinha feito a cartilha por onde me ensinaram a ler, era o seu autor. Mas, o que isso significava tinha ficado soterrado, penso eu agora, no engraçadíssimo que era um Sr. professor de todo o respeito chamar-se assim.

segunda-feira, agosto 04, 2014

quarta-feira, julho 16, 2014

Viagens com o Manuel António VIII [Debaixo da Tília]

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Pêro Negro e outras
Walther von der Vogelweide, «Under der Linden»
M. A. Pina,  idem, «O nome do cão»
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Debaixo da tília,
sobre as urzes
onde nós dois tínhamos o nosso leito,
aí jaz o jovem Werther,
lado a lado com o nosso cão
quando partiu em busca do seu nome,
o verdadeiro nome que os cães têm
e nós não sabemos adivinhar.
A Tia Olívia disse:
é assim a vida...

sábado, julho 12, 2014

Viagens com o Manuel António VII [O que se repete]

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Mafra
«Scienza Nuova», Ibid., p. 21
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terça-feira, julho 01, 2014

Viagens com o Manuel António VI [Fontes geralmente inconformadas]

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Pero Negro
Ibid., «Segundo Fontes geralmente bem», p. 48

segunda-feira, junho 30, 2014

Viagens com o Manuel António V [Um dia destes, zás!]


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Mira-Sintra
Ibid., «Um dia destes, zás!, morro!», p. 42 

sábado, junho 21, 2014

Viagens com o Manuel António IV [A pura luz pensante]


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Ibid., «A pura luz pensante», p. 67

segunda-feira, junho 16, 2014

Viagens com o Manuel António [Esplanada e Outro]

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Pero Negro
Ibid., «Esplanada», p. 155 e
«Na hora do silêncio supremo», p. 62

quinta-feira, junho 12, 2014

Viagens com o Manuel Atónio II [A Porta Estreita]

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«Pedra Furada»
Ibid., «A Porta Estreita», p. 80

quarta-feira, maio 28, 2014

Viagens com o Manuel António I [Os intrusos]

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"À chegada".
Todas as palavras, p. 109, "O intruso".

quarta-feira, abril 23, 2014

TURBAMULTA

 
 
Tome-se um ponto de vista ao acaso, uma cadeira de plástico hospitalar, por exemplo, de frente para a fila de espera e é quase fácil imaginar 
que aquele ali bate na mulher, e a mulher a quem ele bate é como aquela além, de ar amargurado, a quem ninguém respeita,
nem já os filhos, quando tiver netos pior será, tornada transparente como um móvel que só estorva, em que se tropeça,
por enquanto diz-se «mãe, mãe, não há leite» ou «não compraste cerveja, nesta casa nunca há nada...»
e ela vinga-se num marido tetraplégico
como aquele outro encostado além, impotente na sua cadeira de rodas por causa da escavadora ébria e do seguro que apodrece nas prateleiras do tribunal cível
e vai-se por aí fora, a cada um o seu vício, a sua mesquinhez, a sua crueldade,
distância, mesmo sem razão para os detestar, distância,
de muito muito longe já nem parecem gentes,
vistos lá em baixo no passeio, são o carreiro de formigas, pontinhos pretos sem ego, como dizia o Harry Lime (e o Graham Green)
"Look down there. Tell me. Would you really feel any pity if one of this dots stopped moving forever?"
E os pontinhos apertam-se além, no cais à espera do metro e depois, na carruagem, todos de olhos baixos, corpo contra corpo, são gentalha,
ao pé, mesmo ao pé, tudo se complica,
quando os víamos como multidão, comungávamos porque éramos nós e é o povo em marcha «os ricos que paguem a crise» e somos campeões,
ou enraivece, são eles, os comunas, os lagartos, os lampiões, a turba desordeira
«vai trabalhar, cabrão!»
ah, mas  depois vem um senhor, diz «com licença» e chama a senhora, ainda bonita, modestamente vestida como ele, «senta-te aqui», «não, senta-te tu», «não, vá, que eu já me sento ali adiante»
e dás contigo de pé, feito parvo, e ouvires-te dizer, «não, não, sente-se, sente-se, eu estava mesmo a ir lá fora ao bar beber um café...»
"Would you feel any pity", se eles ainda fossem pontinhos, lá longe?
 Sim, gaita. Sim, mesmo se personagens de ficções.
Cá fora, entre ti e o bar, atravessa-se uma réstia de Sol.

terça-feira, abril 01, 2014

segunda-feira, fevereiro 17, 2014

quarta-feira, janeiro 29, 2014

sábado, janeiro 04, 2014

segunda-feira, dezembro 30, 2013

quarta-feira, novembro 13, 2013

Diamanda Galas - Supplica A Mia Madre

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domingo, novembro 10, 2013

domingo, outubro 20, 2013