sexta-feira, junho 06, 2008

Jacques Prévert, Le temps haletant

Moi qui tutoyais le soleil
je n'ose plus le regarder en face.
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sexta-feira, maio 30, 2008

Questões de constitucionalidade

A Congregação para a Doutrina da Fé, que Sua Santidade o Papa Bento XVI superiormente dirigiu até à sua eleição, parece ter publicado um decreto, daqueles da Santa Sé, com efeitos imediatos, a proibir terminantemente, e sob pena de excomunhão, a ordenação das mulheres.
Isto dizer que o femeaço, essa metade da humanidade que faz o favor de dar á luz todo o resto, está excluído de um dos Sacramentos divinos: a ordem. E não o podendo receber, o gajame não pode ser padre - o que, etimologicamente, até estaria certo - e, portanto, não pode aceder ao sacerdócio. Tau! Mordam-se.
Pois!
O Portugal, Caramba! não teria nada a objectar se a Igreja Católica metesse o nariz só lá nas coisas dela, paredes a dentro do Vaticano, por exemplo. Pronto! Não havia mulheres. Que se amanhassem. Bom proveito lhes fizesse.
O problema é que a Igreja Católica é uma organização internacional com um peso considerável, por exemplo, no nosso país.
E bom, nada a dizer se ainda estivéssemos sob a constituição de 1933. A mulher era um ser inferior. Não podia ter passaporte se o marido não deixasse e só votava se fosse viúva e, portanto, cabeça de casal.
Mas já não estamos. Houve um tal de 25 de Abril, elegeram-se deputados a uma Assembleia Constituinte, votou-se uma constituição em tudo diferente. E a discriminação em função do sexo, religião ou raça foi radicalmente banida.
Portanto, Sr. Dr. Gomes Canotilho, Sr. Dr. Jorge Miranda, Sr. Dr. Vital Moreira, Excelências que sois famosos constitucionalistas, dizei-nos:
Podem as nossa autoridades permitir a existência de uma organização que claramente contraria a nossa constituição? Que estabelece uma diferença objectiva de carreiras em função do sexo?
E reparem, a diferença não é sequer de género: a Santa Sé não se propõe excomungar os Bispos que ordenem homossexuais masculinos cuja identidade de género não coincide com o seu sexo. Nem autoriza a ordenação de mulheres que se identifiquem com o género masculino. Não. São as «mulheres» que são discriminadas.
Mas pronto, a vida custa a toda a gente, admito que não queiram meter-se numa destas. Mas, ao menos digam-me: como é que se faz para declarar inconstitucional uma coisa destas?

quinta-feira, maio 29, 2008

terça-feira, maio 27, 2008

O Caso Esmeralda

Não sei de nada dos meandros deste processo. Nem me interessa.
Limito-me a ter pena da Ana Filipa que não sabe se o seu nome é ou não Esmeralda.
Mas uma fotografia assinada "Leonardo Negrão-arquivo DN" publicada hoje, 27 de Maio, no dito DN, voltou a impressionar-me.
E digo que voltou porque já a tinha visto antes, não sei onde.
O que sei é que, sendo um amador do desenho, estou habituado a reparar mais nas expressões corporais do que no palavreado que as encobre.
E fiquei a ver: que exprimem os rostos?
Comecemos pelo do Sargento Luís Gomes.

Será erro meu, admito-o: ninguém mais falível do que eu a avaliar o seu semelhante.
Mas o que vejo na sua expressão é a pura teimosia.
Os militares insistem em esconder os olhos. Lembro-me do Ramalho Eanes, nos seus tempos da RTP, por exemplo. Talvez seja importante para eles evitar o contacto com o olhar do outro.
Mas o facto é que os óculos impedem que interpretemos as pequenas rugas em volta dos olhos, a posição dos sobrolhos.
Fica a boca.
A do Sargento Luís Gomes, a mim sugere o desafio e a teimosia.

E a vós?




Adelina Lagarto é, segundo a fórmula adoptada pelos meios de comunicação, a «Mãe afectiva».
É uma mulher grande, talvez dos seus cinquenta e tais; eu apostaria em que tem mais um bom par de anos do que o Sargento. Mas, enquanto ele, discretamente, veste a camisa da farda e a gravata preta da ordem, ela, mamã afectiva, usa umas calças justas, bem vermelhas, uma blusa ainda mais apertada que lhe revela o peito generoso e a cintura já com alguns refegos.
O cabelo basto, solto sobre os ombros, frizado e loiro escuro, provavelmente com madeixas.
Também dela, defendida pelos óculos escuros, só resta a boca e um sorriso triunfante.
Pergunto-me: de que triunfa esta senhora?
Será só o orgulho dos quinze minutos de fama?
Ou será mais alguma coisa?

E, finalmente, a Ana Filipa.

Vendo o sorriso de Adelina, estou aqui a rezar a todas as minhas divindades, a pedir aos Céus que esse sorriso seja de cumplicidade com a Esmeralda. Pode ser que tenham combinado as duas, a menina e a mulher que a reivindica, «se vires assim fotógrafos e isso, escondes os olhos, combinado?»
Porque, se não foi ensaiado para nos enganar, então, pobre Ana Filipa.


terça-feira, maio 20, 2008

domingo, maio 18, 2008

Alice do lado de cá do Espelho

Capturas


Não sei se conhecem esta técnica para apanhar um insecto, uma aranha, por exemplo.

Pegam num copo de boca mais larga do que a dimensão maior do dito insecto, está bem de ver. Depois, esperam que a criaturinha de Deus chegue a uma superfície lisinha, uma parede, a tijoleira da sala ou qualquer outro lado.

Quando a apanharem a jeito, vão devagarinho e zaca! Emborcam o copo em cima do cujo. A aranha não vai ficar muito satisfeita, claro, e é natural que ande um bocado à roda sem perceber como é que aquilo lhe aconteceu.

- Mas, perguntais. Então a gente ficamos com um copo no chão da sala?

Resposta:

- Não. Em primeiro lugar porque não é a «gente ficamos», é «nós ficamos». Ou «a gente fica», prontos, vá lá. E em segundo, é a altura de usar uma folha de papel, branquinha de preferência, e rija. Cento e vinte gramas é o ideal. Faz-se deslizar a folha por baixo do copo, devagarinho, empurrando-o entre a bordas do vidro e a tijoleira.

O animalejo, se for um abelhão voa logo por ali a cima e farta-se de bater com a cabeça nas paredes do copo. Mas a aranha terá de ser convencida a trepar para a folha e a ir-se deslocando à medida que a ela for tapando o fundo. Verão que não é nada do outro mundo.

- Bom, perguntais-me impacientes. - Mas para que queremos nós uma aranha ou um abelhão dentro de um copo com um papel de cento e vinte gramas por baixo?

Confesso que não sei. Eu pus a minha no rebordo da lareira e fica lá muito bem.

Mas não é essa a questão fundamental.

É claro que não sou eu a única pessoa a utilizar esta elaborada técnica.

A Cristina Ataíde montou, a partir dela, uma interessante exposição na Galeria Carlos Carvalho, Arte Contemporânea-Zoom, ali às Laranjeiras, na rua Joly Braga Santos.

Claro que não expõe insectos. E os copos não são tão grosseiros como os que eu uso. Os dela são assim, tipo umas redomas e são muito maiores. Também, tinham de ser. É que, se eu capturo umas aranhas, quatro centímetros o máximo, a Cristina captura montanhas. Esta que está aqui na imagem ao fundo pode ser o Jungfrau, por exemplo.

E tenho de vos confessar que ficaria bastante melhor em cima da lareira do que a minha pobre aranha dentro de um copo. Tanto mais que, a vê-la ali feita estúpida, nem um fiozinho de teia nem nada, olha, faz-me pena e vou ter de a mandar à vida dela.
Mas que é uma técnica interessante, isso garanto-vos eu.


quarta-feira, maio 14, 2008

Os Diamantes são para sempre (continuação)

Junto com o «Blog Diamante», tivemos direito ainda a esta recompensa, a que podíamos chamar o prémio Bonsai:
É um prémio feliz. Não tem nada a ver com o resto deste post onde tenho de indicar seis coisas detestáveis.
Mas, o que tem de ser, tem muita força. O Kundera, n'A Insustentável leveza do Ser, dizia isto em alemão, tipo it must be, mas com a força de um Beethoven versão Wagner, o peso de um Goethe e o desespero de Kleist. Se encontrar o livro por aí, prometo copiar para ficarmos a saber como se exprime o destino na língua que Nietzshe e a Chanceler alemã partilham.
Em vésperas de acordo ortográfico e sem saber muito bem como é que o Senhor Dr. Vasco Graça Moura (o mais caramba dos Portuguêses, Caramba!) quer que eu eu escreva, eu, pobre de mim, limito-me a dizer, em tom humilde:

- Então, se os Senhores dão licença, cá vai!
A primeira coisa detestável é o Sr. Presidente da República mai-la Primeira Dama.
A segunda é o Governo todo, Ministros, Secretários e Subsecretários de Estado e tudo. Ah! E os chefes de gabinete e um ou outro dos Directores-Gerais.
A terceira é mesmo a oposição. Do Fernando Rosas ao Paulo Portas.
A quarta é a Polícia, os Carcereiros, os Juízes, a Emel e toda essa gente.
A quinta é o Ministério das Finanças com a sua Direcção-Geral dos Impostos e Extorsões.
A sexta, e infelizmente a última, das coisas detestáveis são as gloriosas Forças Armadas. Bem sei que fizeram o 25 de Abril. Mas pronto, a seguir iam-se embora satisfeitinhos, boa, boa, fizemos uma coisa bem feita, mãezinha, já podemos comer a sobremesa?
Mas não! Em vez de irem... insistem.
E pronto: seis coisas detestáveis ou, como mais delicadamente dizia o blog da Gi, seis coisas de que eu não gosto.
Mas...
- Então e o bancos, os banqueiros, o spread e o euribor, hem? - grita-me um.
- E a televisão, a dona Teresa Guilherme, os apanhados, o um contra todos e a Dona Fátima Campos Ferreira? - grita outro.
- Olhem lá! - respondo eu. - Eram só seis coisas de que eu não gosto, ouviram? Seis. Não queiram transformar estas seis coitadinhas em seiscentas e sessenta e seis, que é o número da besta.
- Beh! Queres apostar que a pobre da besta 666, se visse este país, até fugia assustada?
Mas eu, aí, já não me pronuncio.
Sou um patriota, Caramba!

terça-feira, maio 13, 2008

O Diamantes são para sempre (é o que diz a De Beer e o Portugal, Caramba também)

A Gi, autora do Pequenos Nadas (o 1 e o 2) - que constam aqui à direita com esse nome e também com o nome de Enormes tudos - o meu espírito de contradição, pronto - atribuiu ao Portugal, Caramba! a distinção Blog Diamante.
Não me atrevo a discordar do critério da Gi, dado que todos os outros blogues que ela nomeou e eu fui espreitar merecem.
Mas este... Hélas!
Como não quero nem devo, porém, recusar uma tão gentil distinção, resta-me cumprir as regras deste jogo e que são, por ordem, as seguintes:

1) Colocar aqui o link de quem me elegeu. (Já está, por tudo quanto é lado!)

2) Colocar aqui as regras desta atribuição. (É o que estou fazendo.)

3) Eleger seis outras pessoas, autoras de blogues. (Ui! É o mais difícil e perdoar-me-hão se demorar mais um tempinho.)

4) Avisar essas pessoas e deixar um comentário no blog de cada uma delas. (Será feito, à medida em que o ponto anterior for sendo cumprido.)

5) Partilhar seis coisas que consideramos importantes e outras seis de que não gostemos.

E pronto, para começar já: seis coisas importantes? Devem estar, algures por aqui, dentro deste desenho.
Ou por aqui.
O mais difícil vão ser as seis coisas detestáveis. Ficam para um próximo post, de acordo?

segunda-feira, maio 12, 2008

Irena

O rosto de Irena velhaO rosto de Irena nova
Eram duas mil e quinhentas crianças.

Podiam ser índias, sudanesas, kurdas, iraquianas.

Eram judías.

Viveram.

A luz no seu rosto,

é causa ou é consequência?


Não sei de nada mais que se possa dizer. O Manuel Bandeira disse tudo, há já muitos anos, e eu só torci um bocadinho as palavras que ele usou:


Irena polaca, Irena boa,

Irena sempre de bom humor.

Imagino Irena entrando no céu:

- Licença meu branco!

E São Pedro bonachão:

- Entra, Irena. Você não precisa pedir licença.

sexta-feira, maio 09, 2008

Homenagem do Sérgio de Sousa ao Maio de 68

Maio é o mês de Maria.
Em Maio os peregrinos vão a pé para a Cova da Iria.
E em Maio comemora-se o 28 de Maio.
Felizmente, também o 1º de Maio,
o Dia da Espiga,
as Maias
e o José Afonso que cantava
"Maio, maduro Maio, quem te pintou?
Quem te quebrou o encanto nunca te amou.
Raiava o sol já no Sul.
E uma falua vinha lá de Istambul."
E também os moços e as mocinhas que lá longe, em Maio, puseram de pantanas as mais sólidas das crenças dos seus pais amantíssimos.

Chama Olímpica


Gente, só gente


quarta-feira, abril 30, 2008

Quem sai aos seus, voa baixinho.


Há já muitos anos, aí por 75, talvez, lembro-me de um jovem a quem se não chamava então «gestor», a berrar indignado! Chamava-se Pedro Costa, ou Sousa ou Alves, uma coisa assim.

Era licenciado numas Letras quaisquer, argumentava sempre com um esquema diante dos olhos e achava que, acima de tudo, tinha de se ser coerente.

Nós nem por isso: verdade era dialética, as contradições faziam parte do processo revolucionário e a vanguarda da classe operária é que era, nós, mais ou menos intelectuais só podíamos estar a seu lado. E passávamos horas à roda da mesa, como dantes soía, reuniões atrás de reuniões, a decidir da linha justa. Estávamos, como se dizia então, «a serrar presunto». O Pedro Alves, porém, que era maçarico naquelas coisas, achava que estávamos era a perder tempo. A bem dizer, a gente suspeitava de que ele se tinha apaixonado por uma senhora casada - as paixões revolucionárias foram mato, naquelas eras, quem não se separou nem participou em dúbios encontros que atire a primeira pedra - e queria aproveitar aquele bocadinho antes de ela ir ter com o marido.
Apesar disso, muitas vezes fomos dar com ele a trabalhar até altas horas no gabinete, com planos e reestuturações que eram chumbados liminarmente porque os sectores implicados tinham sempre coisas muito mais importantes em que pensar.
- Mas o quê, caramba, mas o quê? - indignava-se.
Não obtinha resposta... ou sim: relambórios revolucionários, cheios de palavreado redondo, parágrafos tirados do Lenine ou do Enghels.
- Tás a ver? - acalmava-o eu. - É um período revolucionário, pá, só acontece uma vez na vida.
- Mas qual revolução, pá? - gritava ele. - Se não há trabalho revolucionário, como é que há revolução?
Nós encolhíamos os ombros. Algum mais exaltado respondia que tudo isso eram conceitos burgueses, contra-revolucionários. Tarefismo. E por aí fora. O jovem gestor não tardou a ser suspenso, transferido, reduzido á sua insignificância; um dia, o Pedro chateou-se e declarou-nos que se ia embora.
- A gota de água, pá. - explicou-nos ele. - Atingi o meu limite. Não aturo mais aquele gajo. Ou sai o Director ou saio eu.
Tinhamos ido almoçar em grupo, ali adiante da Escola Politécnica que ainda não tinha ardido, e estávamos já nas bagaceiras. Eu tinha acendido o cachimbo com um tabaco pestilencial - era para o que dava o vencimento - e enchia a atafulhada sala com as largas baforadas de espesso nevoeiro, mas nessa altura ainda não era pecado.
- Qual Director? Ele há quatro! - perguntei eu
- Três. O outro é o presidente. - precisou o Leonel.
E o nosso camarada alumiou o nome ao santo.
A empresa em que trabalhávamos tinha sido considerada estratégica, tanto antes como depois de Abril, e estava cheia de «fascistas». Por isso achou-se bem que fosse intervencionada: os militares sucediam-se nos diferente pelouros e o Director em causa qualificara-se para o cargo pelo facto de ser Capitão, piloto aviador da Força Aérea, provável ex-bombardeador de tabancas indefesas.

A proposta que o Pedro Lemos, gestor gestor recém-eleito e, já agora, o engenheiro Lousa, responsável por um importante sector técnico da empresa, tentavam que fosse discutida dizia respeito à concentração dos múltiplos edifícios pelos quais se espalhava a actividade da empresa. O produto principal dividia-se por três edifícios, tão distantes uns dos outros que exigiam um corropio de viaturas para se manterem em contacto. A manutenção dos equipamentos, essa podia requerer, no mínimo, umas cinco oficinas, cada uma instalada num inferninho à parte. A empresa fôra, ao longo das décadas, adquirindo edifício atrás de edifício, aluga daqui, compra dali, para instalar tão importantes necessidades.

O património imobiliário era impressionante. Das complexidades correlativas nem se fala: diga-se apenas que um carrossel de carrinhas 4L girava incessante, por vezes com um só papel, mas acompanhado do respectivo protocolo - um caderno de capa preta que tinha de ser preenchido à mão - que devia ser assinado pelo contínuo do serviço destinatário antes de a carrinha, vazia agora, percorrer de volta o caminho para mais um molho de folhas.

Fazer um grande edifício que concentrasse tudo isto parecia ao jovem camarada, bem como ao camarada engenheiro responsável pelo produto, uma medida razoável. O financiamento estava á vista: bastava alienar dois ou três dos edifícios para garantir a viabilidade da nova sede.

- Vamos lá a voar baixinho, disse peremptório, o Sr. Capitão piloto aviador, pondo ordem na reunião de planeamento.

- A voar baixinho, estão a ver? Como é que os gajos querem que se faça alguma coisa? - e repetiu: - Se ninguém faz trabalho nenhum, como é que querem fazer a revolução?

- Tens a certeza de que alguém quer? - provoquei eu a escarafunchar no cachimbo que se tinha entupido. - Olha que eu não sei se acredite...

- E então, vais-te embora só por isso? - perguntou o Leonel.

- Só por isso? Achas que não chega? Um parvalhão que não sabe ler nem escrever, um analfabeto de pai e mãe, a mandar a malta voar baixinho? Se não tem envergadura para dirigir uma empresa deste tamanho, andor. Não vai ele, vou eu. Tenho mais que fazer, pá. Vou trabalhar para a Nanterre, que há lá muitos livros.

- Pá - intervim eu a pôr água na fervura. - Que é que tu queres? O gajo o que aprendeu lá na tropa foi a voar assim. E sabes porquê? Com aquelas latas velhas dos Fiates e dos T-3 e os helicópteros da Grande Guerra, eles têm é medo de ir mais alto. O programa revolucionário dos gajos tem de ser a mesma coisa, pá, é rasteirinho, pronto.

A resposta do Pedro Costa não foi lá muito bem educada e questão ficou por ali, que remédio. Ele partiu, escreveu uma meia dúzia de cartas aos amigos, publicou um par de livros, ainda me mandou um e o outro encontrei-o, por acaso, numa livraria em Montmartre, quando por lá andava com uma amiga, em turismo romântico.

- Olha, olha! - exclamei eu deliciado.

A Voilá veio espreitar, leu o título que falava da enteléquia e quis saber a razão dos meus entusiasmos.

Contei-lhe, por alto, com o fim da história, de que entretanto me inteirara.

Vinte e cinco anos depois da partida do Pedro (Lemos Costa, como estava na capa do livro), mais mês, menos mês, mais ano, menos ano, com alguns (bastantes, para não dizer muitíssimos) milhões de contos de prejuízos acumulados, a empresa contratou finalmente um gestor a sério: não importa a sua filiação partidária. Não parece que tenha saneado as contas, mas o que fez logo, além de despedir meia dúzia de pessoas mais ou menos incómodas, claro, e contratar meio cento de outras, foi vender os imóveis inúteis e concentrar os serviços.

Não soube dizer à Voilá, nem provavelmente o saberão, quer o Engenheiro responsável, quer o outrora jovem Pedro Costa, que luvas terá havido nessas transacções ou até, quem sabe, se não terá havido nenhumas. O que é certo é que, durante vinte e tal anos, a contar por baixo, se andou a voar muito baixinho.

Éramos assim antes do célebre dia 25. Mas como do nada, nada sai, assim continuámos a ser.
Quem quis ser diferente, emigrou. Nós, em matéria de voos, queremos e havemos de continuar a ser assim rasteirinhos, rasteirinhos...

quinta-feira, abril 24, 2008

Violenta repressão em Cuba

- Então! Nem um cassetete, ao menos, porra?

Glória ao Vencedor


O Grande concurso dos Blocos Castelo tem um vencedor, o Graza, do Arroios, que, após uma aturada pesquisa na Net, identificou a jovem Rita Redshoes. Aqui fica, com as felicitações do Portugal, Caramba!, a taça que, muito justamente ganhou.

sexta-feira, abril 18, 2008

Adivinha:


O Portugal, Caramba! não tem quaisquer dúvidas sobre a enorme influência da Igreja Católica Apostólica Romana na cultura portuguesa. Ela faz-se sentir desde as grandes questões fracturantes da nossa sociedade, como se viu durante a discussão sobre o aborto e, mais recentemente, no problema da culpa no divórcio litigioso, até aos mais ínfimos detalhes.
Assim, o Portugal, Caramba! propõe aos seus leitores a seguinte adivinha:
Como se chama a jovem cantora portuguesa que declarou:
- Sim, claro, admito que o Santo Padre tem sido uma influência constante na minha carreira.