Vi a Avó Lígia ontem, quando estava a fazer horas para a minha camioneta. Era uma senhora muito, muito baixinha, muito redondinha, com uma feições muito bonitas que eu não fui capaz de reproduzir. As netas, duas, adoravam-na, era uma coisa que se via ao longe. Foi pelos seus gritinhos de júbilo que me pareceu perceber o nome da senhora. Pareceu-me, claro, o mais provável é que alguma coisa no crioulo me tenha induzido em erro. Não tem importância. O nome de Lígia assenta-lhe que nem uma luva; não me perguntem porquê. Tinha um sorriso de Avó Lígia para as netas e isso bastou-me.sexta-feira, dezembro 21, 2007
Mais Avó Lígia
Vi a Avó Lígia ontem, quando estava a fazer horas para a minha camioneta. Era uma senhora muito, muito baixinha, muito redondinha, com uma feições muito bonitas que eu não fui capaz de reproduzir. As netas, duas, adoravam-na, era uma coisa que se via ao longe. Foi pelos seus gritinhos de júbilo que me pareceu perceber o nome da senhora. Pareceu-me, claro, o mais provável é que alguma coisa no crioulo me tenha induzido em erro. Não tem importância. O nome de Lígia assenta-lhe que nem uma luva; não me perguntem porquê. Tinha um sorriso de Avó Lígia para as netas e isso bastou-me.José Pacheco Pereira
Num antiquíssimo bloco Castelo (talvez de 1990) achei este desenho com um a piada já bastante desactualizada. Não me lembrava sequer de a ter feito, mas tenho de pedir desculpa ao Pacheco Pereira. Resistiu. Votou contra o seu próprio partido pelo menos uma vez, por causa de despenalização do aborto.quarta-feira, dezembro 19, 2007
Ainda a Fernanda Botelho
quarta-feira, dezembro 12, 2007
«A morte, neste momento, não tem nada de assustador para mim...»
E eu, que já tenho os meus pergaminhos de maldade... eu que sou má, eu!...A Pardala, coitada, lá estava a morrer. A morrer na cama onde eu dormia, quando ia ter com ela - sabias, «Cantor»? Não, tu não sabes ainda nada. Tens quinze meses, não sabes nada; nasceste numa noite fria e cresceste em noites quentes. Lembras-te da minha mãe? Eras tão pequenino! Nessa noite fugiste para a minha cama e eu não consegui enxotar-te, não tive coragem. Depois veio a Chiquinha... lembras-te? Uma sanguessuga com asas, lembras-te? Sabias que ela me descosia os vestidos e me fazia buracos nas peúgas só para me obrigar a pegar numa agulha? Uma vez deitei-lhe pimenta no leite-creme e ela ficou tão zangada... Doutra vez... tantas vezes, «Cantor»! Vinha ter com ela à cama, de noite e assustava-a com um uh! mesmo no ouvido. Ela acordava aos gritos, perdidinha de medo. E toda a gente se levantava e vinha ver, todos perdidinhos de medo! Até eu depois ficava com medo! Quando me doía o estômago, ela ria-see zombava. sabias que me acusava ao prior? sabias que rezei milhões de terços por culpas de que a Chiquinha me acusava ao prior? Sabias que uma vez, de noite, enquanto ela dormia, lhe cortei uma trança loira, a do lado direito, e lhe deixei pregado à camisa um bilhete que dizia: «Também eu vou levar os teus piolhos ao prior!». Sabias? Ela mostrou atodos o lugar da trança mas nunca o bilhete. Apanhei uma tareia, e ela riu-se muito e dizia «bem feito». Eu dava-lhe pontapés e ela ajoelhava-se, «Cantor»! Ela ajoelhava-se... a rezar por mim!
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Justiça Privada


1. Espingarda Holland & Holland, London, de canos e coronha já serrados, de modo a adaptar-se ao seu punho. A classe de uma arma personalizada, de fecharia de prata, coronha de nogueira e garantia para toda a vida.
Até os agentes do Estado o respeitarão.
2. Pistola metralhadora Uzi.A garantia da eficiência da Mossad ao serviço da sua Justiça privada.
Se é o medo quem guarda a vinha, a Uzi guardará ainda mais eficientemente os seus direitos.
3. Um motorista da Agência Flanders & Gates, Assistência e Protecção, S. A., California, com provas dadas no Iraque, na Gâmbia e no Sudão.
Todos os nossos colaboradores têm cursos de Intimidação, Extorsão(1) e outras coisas que não seriam aprovadas pelo Tribunal Internacional dos Direitos do Homem. Mas, pronto, quem puder pagar, também pode mandar, não será?
Sim, e porquê só os outros?
(1) Extorsão, extorsão, extorsão.
segunda-feira, dezembro 03, 2007
Auto-censura


A petição pode ser assinada através do Portugal Profundo, de onde rapinei a tarjeta lá de cima. A bem da sanidade pública, se a das crianças vos for assim tão indiferente.
sábado, dezembro 01, 2007
Ingrid Betancourt
quinta-feira, novembro 29, 2007
Kafka era um saloio

quarta-feira, novembro 28, 2007
terça-feira, novembro 27, 2007
sexta-feira, novembro 16, 2007
DÉJEUNER DU MATIN, Jaques Prévert

Dans la tasse
Il a mis le lait
Dans la tasse de café
Il a mis le sucre
Dans le café au lait
Avec la petite cuiller
Il a tourné
Il a bu le café au lait
Et il a reposé la tasse
Sans me parler
Il a allumé
Une cirarrette
Il a fait des ronds
Avec la fumée
Il a mis les cendres
Dans le cendrier
Sans me parler
Sans me regarder
Il s’est levé
Il a mis
Son chapeau sur sa tête
Il a mis
Son manteau de pluie
Parce qu’il pleuvait
Et il est parti
Sous la pluie
Sans une parole
Sans me regarder
Et moi j’ai pris
Ma tête dans ma main
Et j’ai pleuré.
sábado, novembro 10, 2007
Rã King
O Portugal, Caramba farto de vãs discussões sobre o momentoso problema de saber se o ensino privado é melhor do que o público, decidiu criar um prémio para a escola que tiver a melhor posição no ranking respectivo. O prémio consiste neste retrato de Sua Magestade e poderá ser orgulhosamente exibido pelo vencedor, quer sob a forma de auto-colantes, quer impresso nas T-shirts obrigatórias dos alunos. No caso de terem farda com casaquinho verde-garrafa, a imagem poderá também ser bordada no bolso superior do lado esquerdo.Parabéns ao feliz vencedor, que este ano julgamos ter sido o Externato Alfa que teve zero negativas [0] tanto a Português como a Matemática. Se não tiver sido, o Planalto ou o Mira-Rio também servem.
quinta-feira, novembro 08, 2007
... if one litlle nigger should accidentally fall...
domingo, novembro 04, 2007
Quando a emenda é pior do que o soneto
Juro: tentei com todas as forças. Esforcei-me. Rabisquei, apaguei, voltei a rabiscar. Nada. Nada saía. Nada entrava. A mais perfeita neutralidade ou, se preferirmos, a completa nulidade.Algumas caras são desenháveis, por muito que se não goste delas. A de um boxeur europeuìzável, por exemplo.

sábado, novembro 03, 2007
sexta-feira, novembro 02, 2007
sexta-feira, outubro 26, 2007
Mea Culpa
A propósito de um post do "Portugal, Caramba", um amigo mandou-nos um mail, nem por isso muito educado e que eu transcrevo sem vénia nenhuma porque ele não merece:«Pá, escreveste uma coisa sobre ter o rei na barriga e não te lembraste da quadra do João? Não achas que era tua obrigação falar nele, e já agora, no Leal?»
A este «amigo», que não me autorizou a chamar os bois pelo nome (toma!), só posso dizer que pode ficar com a bicicleta: eu não conhecia esta quadra do João Bessa, como não devo conhecer duzentas mil outras que estão na colecção privada dos amigos recolectores de guardanapos, toalhas de papel e bilhetes de autocarro.
Quanto ao Zé, o José Bação Leal, eu não o conheci tão bem como este «amigo» e creio que o recente filme da senhorinha Luísa Marinho, de seu nome "Poeticamente exausto, verticalmente só» contribuirá muito mais e muito melhor para o dar a compreender.
Posto isto, e dado que o «amigo» tem razão (mesmo se eu me recuso a dar-lha) aqui fica a quadra do João Bessa:
Eu queria ser Monárquico,
mas há uma coisa que m'intriga:
haverá rei bastante,
p'ra tanto qu'o traz na barriga?
quinta-feira, outubro 25, 2007
Autofagia
Deve ser verdade que o escritor só sobre si mesmo escreve. E que, quando o tradutor é um poeta, só pode traduzir-se a si próprio.Nove meses no fedor, depois nas faixas,
por entre crostas, beijocas, lagrimonas.
Depois à trela, na andadeira, em camisinha,
pára-turras na testa, cueiros por calções.
Depois começa o tormento da escola,
o á-bê-cê, a vergasta e as frieiras,
a rubéola, a caca na cagadeira
e um pouco de escarlatina e de bexigas.
Depois o ofício, o jejum, a trabalheira
a pensão a pagar, as prisões, o governo,
o hospital, as dívidas, a crica,
o sol no verão, a neve no inverno...
E por último - e que Deus nos abençoe! -
vem a morte e acaba no inferno.
G. G. Belli, 1833
Tradução de Alexandre O'Neill, que, por seu lado, escreveu:
O Enforcado
No gesto suspensivo de um sobreiro,
o enforcado.
Badalo que ninguém ouve,
espantalho que ninguém vê,
suas botas recusam o chão que o rejeitou.
Dele sobra o cajado.
segunda-feira, outubro 22, 2007
And the winner is...


Vamos afixá-lo aqui do lado direito logo que alguém nos ensine a fazê-lo. (1) Porque, não duvidem: não foi pelos skils informáticos que a Gi nos distinguiu. E a dizer a verdade, se motivo houve, para além da generosidade, nem fazemos ideia de qual possa ser.







