segunda-feira, junho 09, 2008

Un sou dans ma poche, e um caderno debaixo do braço.




Manter um Diário Gráfico, como o Eduardo Salavisa recomenda aos seus alunos, é complicado para quem, como eu, andou sempre com um canhenho (e pelo menos um livro) debaixo do braço. Durante anos arrastei comigo blocos A-4, pastas com folhas de papel de máquina, cadernos geralmente lisos onde se confrontavam apontamentos das aulas que eu ia dar com os das aulas que recebia em acções de formação ou no mestrado. E riscos, muitos riscos, porque a maior parte do que nos dizem nas aulas, nas conferências, no lançamento de livros, cabe num cantinho da primeira folha.
Tudo é gráfico, evidentemente, nesses cadernos, mas nem sempre os grafismos incluem o desenho.
Nas páginas que mostro, há de tudo: apontamentos de leituras, citações, esquemas com que, por vezes, tento forçar-me a entender o que outros pensam, e por aí fora. Os desenhos surgiram, muitas vezes, por uma necessidade de me explicar a mim próprio os conceitos que ia descobrindo.
O pião a girar na palma de uma mão na página da esquerda, por exemplo, deveria ilustrar o conceito de «atractor estranho» - Ou talvez lhe esteja a servir de esquema empírico, quem sabe?Sempre tive uma enorme dificuldade em entender coisas para as quais não é possível desenhar um boneco que as representassem.


Nesta página, aqui em cima, porém, o desenho do que estava na mesa do pequeno-almoço, não tinha nada a ver com coisa nenhuma. Serviu só para desenjoar. Ou, talvez, já não recordo, para interromper a leitura e conversar com os outros convivas. É meritório, não é?

10 comentários:

ana disse...

"o lugar da vida é fácil. è sempre aqui. No momento em que se está e em que se deseja.
P ligar da morte é mais complexo, porque se referencia a uma ausência que no entanto não é sentida como falta, mas apenas como limiar de dissolução(..)"

ana disse...

o comentário anterior, com alguns erros, comentário meu sem erros não é meu ;) tem a ver com o pião.
(private message: tive pena que n~~ao dobrasses nenhum canto...)

Gi disse...

Quando o comecei a ler estava a ver-me. Também sempre andei com canhenhos e confesso que eram uma vergonha para quem os via para além de mim. Só bonecos. Reuniões e distracções ... mas também me ajudavam a compreender e passar a mensagem a outros . Nada de muito complexo mas constante :)
Algumas folhas tinha pena de deitar fora, fui guardando e acabei de as deitar fora todas de uma vez . Agora que já não tenho reuniões tenho um moleskine para estar entretida enquanto espero alguém . Guardo-o religiosamente, este já é mais eu . Adorei o pião masi mais ainda o café da manhã pena ser o único que não consegui aumentar.

Um beijinho e resto de bom fim de semana

e.s. disse...

Decididamente temos que conversar. Quando é que vens a Lisboa? Vai escrevinhando qualquer coisa sobre essa actividade, a de desenhar (e escrever) em cadernos. Abraço

tacci disse...

Ana:
Conseguiste decifrar melhor do que eu próprio.
Os meus cadernos são bastente mais do tipo «eu já escrevi; agora o diabo que entenda».
Um abraço.

tacci disse...

Gi, se me permite, fez mal. Eu ainda tenho cadernos do tempo do Liceu: chamavam-se «sebentas» e os meus apontamentos faziam jus ao nome. Os meus filhos depois, que deitem fora esse lixo todo. Para nós é a nossa vida, quase mais importante do que as cartas de amor. (Quase!)
Um beijinho.

tacci disse...

Anónimo/a:
Desculpe ter apagado o seu comentário, mas era um bocadinho desagradável, não era?
Cumprimentos.

tacci disse...

Eduardo, conversar e beber copos são duas das mais nobres actividades do homem. Quanto a escrever sobre a «grafiscrita» - será um neologismo? - vai exigir mais grafiscrita, o que até é capaz de ser giro.
Um abraço.

gaivota disse...

Sim Tacci é meritório parar de ler ou desenhar para falar com os outros. A pior carta de amor que alguém pode guardar será a que contenha o poema do Prevert le Dejeuner du matin

tacci disse...

E no entanto, Gaivota, há vezes em que é preciso mandar essa carta por muito que se imagine o que vai custar recebê-la.
Um abraço.