quarta-feira, março 07, 2007

"aos cépticos como eu..."





Imitação de morte é esta vida,
nem morte ainda, mas nem vida já,
à força de penosa e corrompida,
em que mais a razão desperta está,
e, porque desperta, mais vencida.
Imitação de vida é esta morte
quotidiana, que nos coube em sorte.


Armindo Rodrigues, Entre o quotidiano e a aventura, VII

6 comentários:

Gi disse...

Não posso crer que desapareceu o comentário!!!
Deixe-me ver se me lembro do que tinha escrito.

Crie-se uma contra-ordenação aos infractores. A todos aqueles que se deixam corromper e vencer pelo quotidiano. Abaixo as imitações!

Desalento Tacci? ~Eu nã sou tão céptica assim, tento sempre pensar que em alguma coisa o dia de hoje foi melhor do que o de ontem e por certo pior do que o de amanhã :)

beijinhos

anagomesferreira@yahoo.com disse...

"porra porrinha
senhora madrinha
porra porrinha
senhora madrinha"
Nuno Bragança, Directa

Gi disse...

Bom dia Tacci, vim fazer uma visitinha e ver se havia novidades. Chamou-me a atenção um link que tem nos preferidos curiosa fui ver... mas que surpresa! Enormes Tacci? :) Obrigada, já fiquei com um sorriso de orelha a orelha :)

tacci disse...

Gi, estou inteiramente de acordo consigo, sobretudo no que toca às contra-ordenações, côngruas e coimas aos imitadores da vida. Mais: deviam ser eles os únicos a pagar impostos. Os excêntricos, os originais e os criativos deviam ter as isenções todas, para desestimular a cinzentice. Não tenho grandes esperanças de que estas medidas façam, algum dia, parte do programa de governo dos nossos partidos: aí confesso o meu cepticismo.
O do Armindo Rodrigues pareceu-me dar um bom exemplo de uma característica nacional (que se contraria pela fanfarronice) e a que eu chamei "desalento" e que é, no fundo, um "nãovalapenismo" de almas pequeninas, como diz o Pessoa. Há dias em que é muito difícil de o evitar. Mas o próprio A. Rodrigues considera que há "cépticos" como ele, "capazes de resolver o seu cepticismo".
Por mim, julgo que basta acreditar em si próprio, ou, se não bastar, já é um começo.
Um beijinho, Gi e obrigado pela sua solidariedade.

tacci disse...

PS: Como queria continuar a passear pelo blog original do "pequenos nadas" resolvi dar um nome diferente ao novo. E como não acho que os seus posts se refiram a nadas e têm uma enorme abertura e um excelente gosto, pareceu-me apropriado chamar-lhe assim. Ãinda bem que a Gi não se zangou.
Outro beijinho.

tacci disse...

Francamente, Anita!
Com que então "porra porrinha"...
Mas olha que eu também sei algumas do Nuno Bragança:
"Minha marmota de Aljezur!"
"Meu colibri da Polinésia!"
Que tal?
Beijinhos.