quarta-feira, dezembro 10, 2008

Mal amar


60º. aniversário da
Declaração universal dos direitos do Homem



Por iniciativa do Fenix ad eternum, neste dia em que se comemora a declaração pela ONU dos direitos do Homem, formou-se uma cadeia de solidariedade entre blogues de todo o mundo. Esta é a nossa minúscula contribuição; mas, como disse o ratinho, qualquer pequena gota conta... O nosso obrigado também ao Arroios pela dica.


...


O Homem é um animal estranho.
Soube dizer que Direitos tem e proclamou-os há já sessenta anos numa Declaração Universal. Soube, desde os seus primeiros filósofos, desde os primeiros guias espirituais, que deve amar o seu próximo como a si mesmo. Ou, na formulação de Kant, que deve agir de tal modo que a máxima da sua acção possa ser erigida em lei universal.

Sabe-o.

Mas não sabe quem é o seu próximo, não sabe que vai desde a formiga e o pardal até ao rio de terras distantes e à floresta tropical onde habitam gorilas.

Não sabe que o seu próximo é a Terra, com tudo e todos os que podem, mas não devem sofrer.

Nem sabe como amar esse próximo, mesmo que soubesse quem é, onde encontrá-lo.

Não sabe e tem medo de ter de saber: receia o dia em que já não lhe seja possível esconder-se atrás da retórica, que as palavras já não sirvam de balas, os microfones de cassetêtes. a surdez de escudo. Tem medo do dia em que alguém lhe peça contas dos bebés-foca assassinados à paulada, das raposas esfoladas vivas para fazer casacos de peles, das populações vítimas de danos colaterais em guerras absurdas.

Que fazer, hélas, quando o homem não quer a si mesmo, quando secretamente se odeia? Declarar o que queremos que venha a ser pode não passar de um começo. Mas então, comecemos, caramba!

10 comentários:

Anónimo disse...

Vim à procura do comentário que me anunciaste sobre o «Pantaleão», e encontro esta prosa sobre os direitos humanos, que é matéria com que encanito. Acho que uns nascem com direito à fome, à doença, à infelicidade. A outros ensina-se-lhes que, por uma questão de educação, não devem arrotar sobre os primeiros. Ora, mesmo os que sejam educados e não arrotem, não adquirem o direito a não ser pilhados pelos primeiros. Até ao dia, que não sei se chagará, em que fiquem equilibrados. Badesse

Graza disse...

Foi muito bom que tenha aderido e ainda por cima desta forma. E vou confessar: não me atrevi a pedir, por várias razões, mas sabia que haveria de fazê-lo desta forma soberba - com um cartoon. Sei que não me vai negar que o reproduza com a devida referência, porque o que é preciso é que ele cumpra a função.

Devo algum agradecimento à sua resposta e parabéns pela forma eloquente como o fez.

Abraço

luma disse...

Acredito que a Declaração dos direitos humanos seja o ideal a que iremos chegar, com a boa vontade de todos e para isto, quem é mais consciente, deve por obrigação, tentar propagar as idéias e aplicação deste ideal fraterno. Beijus

Fátima André disse...

Iniciativas interessantes que alertam e aproximam :)

MC disse...

gostei do post :)

tacci disse...

Badesse, se a vida fosse como nós queríamos, olha, por mim nunca chovia e a temperatura do ar variava entre os 22º e, vá lá, os 28; Deus punha uma caixa de reclamações à porta de cada igreja, de cada mesquita de cada templo e atendia cada uma das nossas queixas; nenhuma mulher ficava com o peito flácido e os dentistas seriam uma ficção inútil... Achas que é preciso continuar?
O Pantaleão está em lista de espera, como muitas outras coisas, que fazer se também nós estamos numa lista de espera, algures, onde um manga de alpaca vai registando as nossas sortes no livro do destino?
Um abraço.

tacci disse...

Graza
Obrigado pelas suas palavras. Gostei de participar nesta corrente, sobretudo porque, ao menos de vez em quando, é preciso lembrarmo-nos de que lado estamos e dizê-lo tão alto quanto pudermos.
Um abraço.

tacci disse...

Luma, seja bem-vinda.
Um abraço.

tacci disse...

Fátima, ainda bem que esta iniciativa permitiu que nos conhecessemos.
Abraços.

tacci disse...

MC
Fico muito feliz por ter gostado do post, sobretudo porque gosto muito do seu blog.
Um abraço e apareça mais vezes.