terça-feira, maio 27, 2008

O Caso Esmeralda

Não sei de nada dos meandros deste processo. Nem me interessa.
Limito-me a ter pena da Ana Filipa que não sabe se o seu nome é ou não Esmeralda.
Mas uma fotografia assinada "Leonardo Negrão-arquivo DN" publicada hoje, 27 de Maio, no dito DN, voltou a impressionar-me.
E digo que voltou porque já a tinha visto antes, não sei onde.
O que sei é que, sendo um amador do desenho, estou habituado a reparar mais nas expressões corporais do que no palavreado que as encobre.
E fiquei a ver: que exprimem os rostos?
Comecemos pelo do Sargento Luís Gomes.

Será erro meu, admito-o: ninguém mais falível do que eu a avaliar o seu semelhante.
Mas o que vejo na sua expressão é a pura teimosia.
Os militares insistem em esconder os olhos. Lembro-me do Ramalho Eanes, nos seus tempos da RTP, por exemplo. Talvez seja importante para eles evitar o contacto com o olhar do outro.
Mas o facto é que os óculos impedem que interpretemos as pequenas rugas em volta dos olhos, a posição dos sobrolhos.
Fica a boca.
A do Sargento Luís Gomes, a mim sugere o desafio e a teimosia.

E a vós?




Adelina Lagarto é, segundo a fórmula adoptada pelos meios de comunicação, a «Mãe afectiva».
É uma mulher grande, talvez dos seus cinquenta e tais; eu apostaria em que tem mais um bom par de anos do que o Sargento. Mas, enquanto ele, discretamente, veste a camisa da farda e a gravata preta da ordem, ela, mamã afectiva, usa umas calças justas, bem vermelhas, uma blusa ainda mais apertada que lhe revela o peito generoso e a cintura já com alguns refegos.
O cabelo basto, solto sobre os ombros, frizado e loiro escuro, provavelmente com madeixas.
Também dela, defendida pelos óculos escuros, só resta a boca e um sorriso triunfante.
Pergunto-me: de que triunfa esta senhora?
Será só o orgulho dos quinze minutos de fama?
Ou será mais alguma coisa?

E, finalmente, a Ana Filipa.

Vendo o sorriso de Adelina, estou aqui a rezar a todas as minhas divindades, a pedir aos Céus que esse sorriso seja de cumplicidade com a Esmeralda. Pode ser que tenham combinado as duas, a menina e a mulher que a reivindica, «se vires assim fotógrafos e isso, escondes os olhos, combinado?»
Porque, se não foi ensaiado para nos enganar, então, pobre Ana Filipa.


9 comentários:

Anónimo disse...

Sei lá se terás alguma razão. Também não sei nada deste caso. O que me chegam são as «gordas» dos jornais de que os meus olhos não conseguem por vezes fugir. E o que sinto é que a situação não será muito diferente doutras complicadas que conheci, mas que pelo menos beneficiaram de não terem servido de pasto a jornalistas. (Também os há sérios; não estou a atacar a classe.)

gaivota do mar disse...

Este caso podia sempre acontecer, mas que se saiba que todos nós nos podemos recusar a dar entrevistas aos meios de comunicação e se nos fotografarem e publicarem as fotografia sem nosso conhecimento, podemos apresentar queixa.

tacci disse...

Meu caro Sérgio, eu também não sei se tenho razão ou não.
O que me aflige é a insensibilidade da lei que não tira a criança a estes pais conflituosos e não a põe ao abrigo de gente desta enquanto eles argumentam e contra-argumentam uns com os outros.
Era um pouco a sentença do Salomão: a criancinha, se calhar, estaria melhor sem nenhum deles, numa casa-abrigo e defendida por uma ordem de afastamento de vinte quilómetros do que está assim.
Um abraço.

tacci disse...

Gaivota, não há criança nenhuma que não se sinta vaidosa por a quererem fotografar, pois não? Mesmo quando se finge muito envergonhada.
O que eu receio é que a atitude da Ana-Esmeralda-Filipa revele traumas muito mais profundos do que os que a curiosidade pública poderia causar.
Mas, mais uma vez, não sei se tenho razão, se não.
Um abraço.

Anónimo disse...

Excerpto do acórdão do STJ:

«Está provado, neste domínio e em síntese, que:

Impediu que a menor fosse entregue à guarda e aos cuidados do pai, o assistente, ocultado o lugar onde esta se encontrava, chegando a mudar várias vezes de residência, apesar de saber que este tinha juridicamente a sua guarda e direcção, e que lhe incumbia educar e tratar a filha, com quem deveria viver, privando pai e filha da companhia um do outro.

Vem tomando decisões sobre o modo e condições de vida da menor, contra a vontade do seu pai, titular do exercício do poder paternal, a quem compete decidir sobre a vida daquela, sabendo que esta não tem capacidade de decisão.

Impediu a menor de criar vínculo afectivo com o progenitor, sequer de se aproximar dele, nunca tendo dialogado com este, no sentido de entre todos acordarem uma solução que causasse um menor sofrimento a esta, ao ser deslocada de junto de si para junto do pai; impediu-a de conhecer a sua verdadeira identidade, o seu verdadeiro nome, a sua realidade familiar, quer pelo lado do pai, quer pelo lado da mãe. Privou-a de frequentar um infantário, com o consequente convívio com outras crianças, apreender regras de convivência social, adquirir conhecimentos, facultar-lhe um são, harmonioso e sereno desenvolvimento e uma boa educação e formação, sabendo que quanto mais se prolongasse no tempo a recusa de entrega da menor ao pai, retendo-a junto de si, mais penoso seria para esta adaptar-se à sua família e ao contexto e valores de vida desta.
Isto quando logo em 27.2.2003 o pai da menor manifestou ao Ministério Público de Sertã, o desejo de regular o exercício do poder paternal e de ficar com a menor à sua guarda e cuidados e imediatamente procurou a filha, deslocando-se à residência do arguido, logo que conheceu o local onde esta se encontrava aos fins de semana, inúmeras vezes, reclamando a sua filha, conhecê-la e levá-la consigo para a sua residência, o nunca lhe foi permitido, mesmo durante o Processo de Regulação do Poder Paternal, cujo desfecho lhe foi favorável, percorrendo milhares de quilómetros em viatura própria, mensal e em determinadas alturas, semanalmente, quer para ver a filha, quer para que lhe fosse entregue.
O arguido, não obstante a sentença proferida na regulação do poder paternal, recusou-se a entregar a menor.
O pai da menor, quis e quer, desde que o soube ser o pai, assumir-se realmente como tal, não pode, como desejava, dar-lhe os cuidados e atenção de pai, apresentá-la à sua família, inseri-la no seu agregado familiar, quando organizou a sua vida nessa perspectiva. Sendo grande a sua tristeza, angustia e desespero, ao ver-se sucessivamente impedido de ter acesso à respectiva, filha por causa da actuação do arguido e esposa, sentimentos agravados e acentuados após a regulação do poder paternal, quando constatou que o mandado de entrega da menor remetido à PSP, não era cumprido, apesar dos seus esforços. Em consequência o assistente passou a ser uma pessoa reservada e fechada sobre si mesmo, evita falar na sua filha e em toda a situação à sua volta, porque sofre ao ver-se privado, como era seu direito, de acompanhar o processo de crescimento e desenvolvimento da sua filha. Sonha com a menor, imagina a sua voz, os seus gestos, frequentemente chora e pede à companheira para o ajudar por não aguentar mais a espera em ter consigo a menor. Estes danos morais são sofridos de forma paulatina e diariamente, mantendo-se ao presente, agravando-se à medida que o tempo vai decorrendo sem que a sua filha seja encontrada e lhe seja entregue. A situação de afastamento, ocultação e recusa de entrega da menor é de tal modo prolongada, que a parte considerável e essencial da sua infância se está a desenvolver fora da convivência da família biológica desta.»

in http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/954f0ce6ad9dd8b980256b5f003fa814/5694dd5a9db5ffd0802573cc0044a3e6?OpenDocument



"Paguei porque o tribunal mandou e acho que está tudo dito. Fiz tudo pela menina, não prejudiquei Baltazar, não faz sentido. Ele que abra uma conta em nome dela", declarou o sargento. »

in http://sic.aeiou.pt/online/noticias/pais/20080724

Anónimo disse...

Meu caro,como artista tens a vista um pouco curta, eu conheço o casal, e são pessoas humildes do povo, que querem fugir deste emaranhado processo, e que os deixem em paz, ou também já é crime dar uma vida melhor e amor a uma criança ??? mesmo não sendo filha deles ???...ainda deves acreditar no Pai Natal !!!!Tens que andar como mais atenção !!!

Beabá disse...

A este último anónimo...pois é...se gostas tanto deles porque não lhe dás um dos teus filhos ou netos...
Havia de ser teu filho...a ver se gostavas!!!
Foi condenado pela justiça...portanto é criminoso...no entanto anda por aí a dar autógrafos e a sorrir como se a vida lhe corresse pelo melhor.
Se tivesse um pingo de decência tentaria unir-se ao pai da menina...mas não fugiu o tempo que conseguiu e que pode...para agora vir dizer que ela está com 6 anos e seria um choque muito grande, blá,blá,blá...Sabe muuuiiiitttoooo!
Ainda por cima instrumentaliza a garota como se de um animal se tratasse...olha que o Baltazar pode roubar-te de nós...ele é mau...ele cheira mal...
CADEIA para esse género da espécie humana.

Anónimo disse...

és um idiota chapado e uma besta quadrada que não percebes que se esta vaca fosse séria tinha seguido os trâmites normais e adoptado plenamente uma criança atraves da Segurança Social e depois através da ADOPÇÃO PLENA era a mãe legal e judicial da menor ESMERALDA, meu burro,já que o Código do Registo Civil só permite um ome aos cidadãos portugues.
Ignorantes como tu é que fico confundidos com as bestas dos criminosos que numca lêem as notificações dos tribunais.

Anónimo disse...

só a máfia castrense é que protegeu este sargentolas apoiado pelas Madrastas do Regime comunista instaurado em Portugal até ao dia em questa cambada vai e posta no se devido lugar.
o sargentolas deficiente há-de levar nas trombas e não será do pateta do Baltazar...
o dono do blog é um perfeito idiota e e imbecil...