quarta-feira, julho 02, 2008

Filinto Elísio, da velha França...

O Portugal, Caramba! decidiu criar o «Super-Tinto Blog Award» e, como a Caridade bem ordenada, por si próprio é começada, atribuiu-se logo a distinção a si mesmo.
Nada de egoísmos porém. Se alguém desejar a mesma distinção, faça o favor. É só copiá-la e pôr junto das que já lá tiver.
A iniciativa nem sequer é original, mas era cativante. Não que, como o Salgador da Pátria, donde picámos a ideia, não gostemos de uma cerveja bem fresca em dias de calor.
Mas, enfim, um vinhinho branco, muito seco e levemente refrescado, não é somente muito melhor: é infinitamente preferível.
E quando se chega aos tintos, que dizer?
Nada se não a música pode dar conta desse doce enebriamento.
Conhecem a velha canção de bêbados, o Filinto Elísio?
É assim:
Filinto Elísio/ da velha França/ enche-me a pança/ deste sabor!
Malditas tripas/ que não comportam/ trinta mil pipas/ deste licor!
Depois, os bebedores, à vez, emborcam o copo cheio e despejam-no goela abaixo. Todos os outros cantam:
Primeiro atirador, atira atira/ primeiro atirador, atira atira..., até que o copo seja completamente esvaziado.
O bebedor deve, então, virar o copo para baixo e mostrar que não sobrou nem uma gota. A malta entusiasmada canta:
Mas que belo compinchão/ que bem comporta o seu quinhão!
Claro, se cair uma só gota que seja, canta-se:
Mas que mau compinchão/ que não comporta o seu quinhão!
E o mal-jeitoso deve abandonar de imediato o círculo dos bebedores.
Segue-se o bebedor seguinte e o outro, e o outro:
Segundo atirador, atira atira... Terceiro atirador... Quarto atirador...
A ideia é que, a pouco e pouco, os bons bebedores comecem a ficar um tanto entornados e comecem a não ser capazes de beber o seu copo até ao fim sem entornar uma gota sequer.
O último a cair para o lado é o glorioso vencedor e a boa moral que se lixe. A gente atura-o enquanto ele vomita, ouve-lhe os despautérios e as dores da alma, acarta com ele para casa... e pronto. Amanhã o melhor será outro. E depois de amanhã, se calhar, ainda outro.
«Super-Tinto blog award»

9 comentários:

Anónimo disse...

Brindemos então! por exemplo com um Quinta Nápoles 2000.
(P.S.- mandei-lhe um mail, esqueci-me do ponto de interrogação no assunto.)

O Salgador da Pátria disse...

Aqui está uma iniciativa que assino por baixo!

tacci disse...

Pá, Anónimo da minha Alma, o Nápoles 2000 parece-me interessante. Estou a imaginar o Tótó, o Gino Cervi ou o Hugo Tognazzi: «Uno tinto da Napoli due mile, mama mia!» com aquela cara com que dizia «milagro, milagro, l'aqua benta se volvio in aguardiente!» (Espero que o Berlusconi não me mande açoitar na praça pública pelo assassinato da bela língua italiana.)
Agora, esse tal mail sem ponto de interrogação é que me deixa um tanto desarmado.

tacci disse...

Salgador, a sua assinatura é preciosa. Considerei-o desde sempre merecedor do galardão «Super-Tinto Award».
E se lhe apetecer distribuí-lo por aí, siva-se à vontade.
Um abraço.

Anónimo disse...

"portei-me como devia" do dia 3 de Julho era para ter um ponto de interrogação. O Quinta de Nápoles é da região do Douro. A quinta que fica junto do Rio Têdo

Graza disse...

Eu como sou aprendiz fico aqui por perto, não vá a pinga cair a jeito. Investigo pelas terras do Sado.

Aqui fica a minha defesa pelo código de barras 560, também no vinho.

tacci disse...

Desculpe a distracção, Anónimo.
O Rio Têdo, então, deve ser um pouco como o Amazonas, que corre em Trás-os-Montes... Só que desagua na Baía da Nápoles, não é?
Um abraço.

tacci disse...

Graza, a península de Setúbal, além de belos vinhos tem também os queijos de Azeitão. É uma combinação explosiva, própria para o êxtase místico e, que quem é religioso me perdoe, a verdadeira prova de que Deus existe.
Um abraço.
PS:
Não sou sectário e o 560 não é o meu único número em matéria de vinhos. Mas, tanto quanto sei e provei, não fica atrás de nenhum outro e também é o meu favorito.

Graza disse...

Tacci, tem razão. Se houve um vinho onde a degustação pediu de imediato um queijo da zona, foi um de engarrafamento particular do Vitória de Setúbal, cujo paladar a nozes e outros efeitos me levou a suspender o copo, e ir de imediato ao mini-mercado comprar um queijo de Azeitão para continuar. Foi o ano passado e estava de férias em Porto Covo!...
Quanto ao 5 60..., justifica-se pelo facto de haver ainda tanto por conhecer que não me tentam os estrangeiros. Salvo raras excepções.